Irmão de John Elkann CEO da EXOR interessando na compra do Botafogo via Cork Gully; Lapo tem interesse de comprar a futura SAF do São Paulo FC


Os irmãos Lapo Elkann e John Elkann em 2022 - Foto Reprodução 


A Família Elkann está animada em investir no futebol brasileiro, a primeira vez foi entre 2010 à 2012, quando a FIAT patrocinou o Palmeiras, e em 2026 através da Leapmotor voltou a patrocinar o clube alviverde da capital paulista.


Lapo Elkann, empresário italiano, um dos herdeiros da dinastia Agnelli-Elkann com o irmão John Elkann, CEO da EXOR e atual presidente da Ferrari, além da irmã Ginevra Elkann que completa o trio de herdeiros. Segundo apuração de nós da Gazeta Botafogo, consultando o mercado esportivo e financeiro internacional, John Elkann entrou em contato com à Cork Gully LLP que administra judicialmente a Eagle Holdings BidCo, demostrando interesse especialmente no Botafogo, já o seu irmão Lapo quer investir futuramente na compra da SAF do São Paulo Futebol Clube.


John Elkann da Dinastia Agnelli, que é dono da Juventus, da Ferrari, Jeep, Fiat através da Stellantis; e CEO da Exor, possui patrimônio Super Bilionário, sendo um dos interessados em comprar a SAF Botafogo


A entrada desse núcleo europeu no cenário nacional representa um possível novo estágio para as SAFs no Brasil: o da internacionalização definitiva do capital esportivo.


O encontro no Morumbis


Na última quarta-feira (27/5), o presidente do São Paulo, Harry Massis Jr., recebeu o empresário Diego Fernandes no Morumbis para uma reunião de aproximadamente três horas destinada a discutir cenários para uma eventual transformação do clube em SAF.


O encontro ganhou repercussão nacional após a revelação de que Lapo Elkann participou da conversa por telefone diretamente da Europa.


Ligado historicamente à Ferrari e à estrutura administrativa da Juventus — clube que também opera em modelo corporativo vinculado à família Agnelli — Lapo participou informalmente da conversa sobre possíveis investidores, estruturação financeira e modelos de governança para o futuro do Tricolor Paulista.


Durante a ligação, em tom descontraído, o empresário italiano chegou a brincar:


“Se der certo, eu viro são-paulino.”


Apesar do simbolismo da participação, fontes ligadas ao clube afirmam que ainda não existe proposta oficial, tampouco negociação avançada para venda do controle do futebol são-paulino.


O encontro teve caráter exploratório.


O plano de Diego Fernandes


Nos bastidores, Diego Fernandes vem articulando um movimento político e jurídico para viabilizar a transformação do São Paulo em SAF sem depender inicialmente do Conselho Deliberativo do clube.


A estratégia se baseia no próprio estatuto social do São Paulo.


O empresário lançou recentemente um abaixo-assinado para convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária. Para isso, ele precisa reunir apoio de pelo menos 20% dos associados com direito a voto.


Entre os requisitos exigidos pelo clube estão:


ter mais de 18 anos;

possuir ao menos dois anos de associação;

manter mensalidades em dia.


Segundo pessoas próximas ao projeto, Fernandes pretende custear um estudo completo de formatação da SAF do São Paulo, cuja apresentação está prevista para setembro.


A ideia seria construir um modelo híbrido inspirado em estruturas europeias de governança esportiva, preservando parte da identidade institucional do clube ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de investimento.


Thairo Arruda pode entrar no projeto


Outro nome importante citado nas articulações é o de Thairo Arruda, ex-CEO da SAF do Botafogo durante a gestão de John Textor.


Executivo reconhecido no mercado esportivo e assumidamente torcedor do São Paulo, Thairo é visto como uma peça estratégica caso o projeto avance.


Sob sua gestão, o Botafogo passou por profunda reestruturação administrativa, profissionalização de departamentos e ampliação de receitas comerciais, tornando-se referência entre as SAFs brasileiras.


Nos bastidores do mercado, existe a percepção de que sua experiência operacional poderia servir como ponte entre investidores internacionais e o ambiente político do futebol brasileiro.


O interesse no Botafogo via Cork Gully


Enquanto o São Paulo discute modelos e possibilidades, outro movimento chama atenção no mercado internacional: o interesse de John Elkann na estrutura da Botafogo SAF.


Fontes do setor financeiro esportivo apontam que representantes associados à Cork Gully vêm analisando o modelo implementado no clube carioca após o afastamento de John Textor desde 23 de Abril de 2026, pelo tribunal arbitral da FGV, por causa de uma gestão temerária. 


A avaliação do Botafogo é vista como estratégica por investidores europeus interessados em entender o potencial de valorização do futebol brasileiro dentro do ecossistema global de clubes.


O clube alvinegro se tornou uma espécie de laboratório do novo futebol-empresa brasileiro após receber investimentos pesados em infraestrutura, scouting, tecnologia e mercado internacional.


Embora ainda não exista confirmação oficial de aquisição ou negociação concreta envolvendo John Elkann, a aproximação de nomes ligados ao grupo evidencia o crescente interesse europeu pelas SAFs brasileiras.


Quem é Lapo Elkann


Lapo Elkann, Diego Fernandes e Martim Reymão enteado de Lapo filho de Manuel Reymão Nogueira com Joana de Lemos | ganharam a camisa 7 da Seleção Brasileira com seus nomes - Foto Reprodução: Instagram/Lapo


Lapo Elkann é um dos membros mais midiáticos da família Agnelli-Elkann.


Filho de Alain Elkann e neto de Gianni Agnelli, histórico comandante da Fiat e da Juventus, Lapo construiu carreira como empresário, designer e consultor de marketing.


Mesmo sem ocupar cargo executivo permanente na Ferrari, tornou-se figura influente dentro do universo da marca italiana, participando de projetos especiais, campanhas globais e personalizações automotivas de luxo.


Seu irmão, John Elkann, é hoje uma das figuras mais poderosas do capitalismo europeu. Além de comandar a EXOR, holding que controla empresas como Ferrari, Stellantis, Iveco e Juventus, John também lidera operações bilionárias nos setores automotivo, tecnológico e esportivo.


A eventual aproximação da família com clubes brasileiros reforça uma tendência observada nos últimos anos: grandes conglomerados internacionais passaram a enxergar o futebol sul-americano como mercado estratégico para expansão global.


SAFs brasileiras entram no radar internacional


O crescimento do modelo SAF no Brasil transformou o país em um dos mercados mais observados por investidores estrangeiros.


Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Bahia e Atlético-MG passaram a operar dentro de modelos corporativos que misturam capital privado, gestão empresarial e reestruturação financeira.


O São Paulo, embora ainda não tenha aprovado qualquer mudança estatutária, vive momento delicado financeiramente e vê parte da oposição e de grupos políticos internos defenderem uma discussão mais profunda sobre profissionalização e abertura para investidores.


Ao mesmo tempo, setores tradicionais do clube resistem à ideia de perder controle político sobre o futebol.


A participação de nomes ligados à Ferrari, Juventus e EXOR amplia o tamanho da discussão.


Mais do que uma simples possibilidade de investimento, a aproximação simboliza o avanço definitivo do futebol brasileiro para dentro do mercado global de ativos esportivos.


E isso pode mudar para sempre o equilíbrio de poder dentro do futebol sul-americano.


Fator Seleção Italiana: o plano esportivo por trás do interesse no Brasil



Além da questão financeira e da expansão global das marcas ligadas à família Elkann-Agnelli, existe também um componente esportivo estratégico que ajuda a explicar o interesse crescente dos herdeiros da EXOR no futebol brasileiro.


Fontes ligadas ao mercado europeu afirmam que integrantes da família enxergam o Brasil como um ambiente ideal para o desenvolvimento técnico, criativo e competitivo de jovens jogadores italianos.


A ideia discutida nos bastidores seria criar uma espécie de ponte de formação internacional: atletas promissores da Itália passariam um período de desenvolvimento em clubes brasileiros antes de retornarem ao futebol europeu mais preparados física e mentalmente.


O entendimento dentro desse grupo é de que o futebol italiano perdeu parte da criatividade e da capacidade de improviso que historicamente marcaram gerações campeãs da Azzurra.


Nesse contexto, o futebol brasileiro aparece como um “laboratório competitivo” capaz de acelerar o amadurecimento de jovens talentos.


O modelo pensado pelos Elkann


Segundo interlocutores próximos às conversas, o projeto imaginado pelos herdeiros da família Agnelli-Elkann seguiria uma lógica semelhante à de grandes redes multiclubes europeias, mas com uma diferença importante: o foco estaria na formação híbrida entre disciplina tática europeia e criatividade sul-americana.


A estratégia teria etapas bem definidas:


jovens italianos atuariam em clubes brasileiros;

desenvolveriam repertório técnico e capacidade de adaptação;

retornariam posteriormente ao futebol italiano;

e apenas depois migrariam para os principais centros financeiros do futebol europeu, como:

Premier League;

Bundesliga;

La Liga;

Ligue 1;

entre outras ligas internacionais.


A avaliação interna seria de que muitos atletas italianos chegam cedo demais aos mercados mais ricos da Europa sem completar um ciclo pleno de desenvolvimento competitivo.


O Brasil, nesse cenário, funcionaria como um ambiente de pressão real, calendário intenso, estádios hostis e exigência técnica elevada — fatores vistos como fundamentais para formar jogadores mais completos.


A inspiração no modelo sul-americano


Pessoas próximas às discussões afirmam que há admiração dentro do grupo Elkann pela capacidade histórica do futebol brasileiro e argentino de formar jogadores resilientes, criativos e emocionalmente preparados para grandes competições.


A família acredita que o futebol italiano precisa recuperar características perdidas ao longo das últimas décadas, especialmente após os fracassos recentes da seleção italiana em Copas do Mundo e eliminações traumáticas em ciclos de classificação.


Nos bastidores, executivos ligados ao projeto enxergam os clubes brasileiros não apenas como ativos financeiros, mas como centros estratégicos de desenvolvimento humano e esportivo.


Isso ajuda a explicar por que o interesse não se limitaria apenas à compra de participação em SAFs, mas também à construção de uma plataforma internacional de formação de atletas.

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