A disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo entrou em uma fase decisiva e tem, neste momento, um favorito claro. A GDA Luma Capital, liderada pelo empresário mexicano Gabriel de Alba, e que tem Marcelo Claure como um dos sócios, surge como a principal candidata a assumir os 90% das ações atualmente pertencentes à Eagle Football Holdings, estrutura controlada por John Textor e que está sob administração da credora Ares Management.
Ao que parece a proposta da GDA Luma de Gabriel de Alba,Marcelo Claure que ainda pode ter Todd Boehly e o príncipe saudita Bader Bin Farhan Al Saud,pela compra da SAF Botafogo foi feita para a Eagle BidCo/Cork Gully.Em 10 dias em 12/6,haverá a atualização. https://t.co/1Xlm0KsK9S https://t.co/iJOfQ4VXzt pic.twitter.com/BWYYT1t88A
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No direito empresarial do Reino Unido🇬🇧, uma "Statement of Administrator's Proposals" (Relatório das Propostas do Administrador) é um documento formal elaborado pelo administrador judicial (Cork Gully) após assumir o controle de uma empresa (Eagle BidCo). Com isso GDA avança! https://t.co/iOgcgLqcdh
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Segundo informações divulgadas pelo ge nesta quinta-feira (4/6), confirmando o que havíamos antecipado em 2/6 no Twitter/X; a definição do novo controlador não será feita diretamente pelo Botafogo ou por John Textor, mas pela Cork Gully LLP, administradora independente que assumiu a gestão da Eagle Bidco dentro do processo de reestruturação financeira da companhia.
A Cork Gully é responsável por avaliar as propostas recebidas e conduzir as negociações para a venda do ativo, com o objetivo de encontrar um investidor capaz de garantir estabilidade financeira, sustentabilidade de longo prazo e competitividade esportiva para o clube carioca.
Quatro propostas oficialmente na mesa
Atualmente, quatro ofertas formalizadas estão sendo analisadas pela administradora judicial:
John Textor, ex-gestor da SAF do Botafogo;
GDA Luma Capital, liderada por Gabriel de Alba;
MasterCom Capital;
Consórcio formado por Evangelos Marinakis e Kia Joorabchian.
A proposta de Marinakis e Kia conta também com apoio político e institucional de Textor, embora o empresário norte-americano tenha afirmado recentemente, durante entrevista coletiva, que não apresentou uma proposta formal de aquisição.
Além dessas ofertas, outras manifestações de interesse chegaram diretamente à Cork Gully em 10 de abril de 2026, incluindo grupos ligados a:
John Elkann;
Juca Abdalla;
Apollo Global Management;
Sheikh Moe Al Thani;
Iconic Sports, de James Dinan, Knaster e Edward Eisler (Esses podem entrar, mesmo com a GDA Luma assumindo; ENTENDA).
Por terem sido encaminhadas diretamente à administradora judicial britânica, os detalhes dessas propostas permanecem sob sigilo.
GDA Luma ganha força nas negociações
Nos bastidores, a percepção predominante é de que a GDA Luma Capital reúne as melhores condições para ser escolhida como nova controladora da SAF alvinegra.
O principal fator que fortalece a candidatura do grupo mexicano é o relacionamento já existente entre Gabriel de Alba e a Ares Management em diversos negócios internacionais. Fontes próximas às negociações afirmam que o executivo nunca demonstrou resistência em negociar diretamente com o fundo credor, condição considerada fundamental para o avanço das tratativas.
De Alba chegou ao universo do Botafogo inicialmente por meio de sua relação com John Textor. No entanto, posteriormente apresentou sua proposta diretamente ao presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, mantendo diálogo aberto tanto com o Botafogo quanto com a Ares.
A avaliação interna é que essa capacidade de interlocução entre todas as partes envolvidas tornou a proposta da GDA particularmente atraente no atual cenário.
Diferença financeira chama atenção
Um dos aspectos que mais chamam atenção nas negociações é a diferença entre os valores oferecidos pelos investidores.
Em contato recente com o ge, o presidente João Paulo Magalhães revelou que:
A proposta vinculada a Kia Joorabchian gira em torno de US$ 50 milhões;
A oferta da GDA Luma alcança aproximadamente US$ 105 milhões.
O valor que será aportado imediatamente na SAF é considerado um elemento decisivo, já que os recursos servirão para recompor caixa, honrar compromissos de curto prazo e garantir a continuidade das operações do futebol profissional.
Dívida bilionária é principal desafio
Embora a compra das ações seja um aspecto importante da negociação, o maior desafio para qualquer investidor será a situação financeira herdada da gestão anterior.
De acordo com a última demonstração financeira divulgada pela SAF Botafogo, o passivo total da companhia se aproxima de R$ 2 bilhões, considerando obrigações de curto e longo prazo.
Internamente, porém, membros do clube associativo acreditam que a dívida real possa estar próxima de R$ 3 bilhões, valor que incluiria compromissos ainda não refletidos integralmente nos demonstrativos públicos.
Isso significa que o futuro controlador não estará apenas adquirindo participação acionária, mas assumindo também a responsabilidade pela reestruturação de um dos maiores passivos do futebol brasileiro.
A avaliação da Cork Gully deverá considerar não apenas o valor oferecido pelas ações, mas principalmente a capacidade do investidor de lidar com essa dívida e implementar um plano financeiro sustentável.
Ares quer sair do negócio
O processo atual reforça que a intenção da Ares Management não é permanecer como controladora do Botafogo.
Após assumir o controle da Eagle Bidco dentro da reestruturação financeira da Eagle Football Holdings, a estratégia do fundo passou a ser encontrar um novo investidor para a SAF.
Como parte desse processo, a Cork Gully publicou, no início de abril, um anúncio em um jornal britânico comunicando oficialmente ao mercado que as ações estavam disponíveis para venda.
A movimentação marcou o início formal da busca por um novo controlador para o clube.
Reunião com sócios reforça apoio à GDA
Na última segunda-feira, João Paulo Magalhães promoveu uma reunião em sua residência com aproximadamente 70 sócios do Botafogo para discutir o futuro da SAF e apresentar os potenciais investidores.
O encontro também marcou a apresentação oficial de Eduardo Iglesias, nomeado diretor-geral da SAF em assembleia realizada no mês de maio.
Durante a reunião, os presentes tiveram acesso aos detalhes das propostas.
John Textor participou por meio de um vídeo previamente gravado — o mesmo conteúdo divulgado posteriormente em suas redes sociais. Segundo relatos de participantes, o material foi recebido com vaias por parte dos sócios ao final da exibição.
Já Gabriel de Alba participou por videoconferência. O empresário mexicano apresentou sua visão para o futuro do clube, detalhou aspectos da proposta da GDA Luma e respondeu perguntas dos presentes.
Ao término da conversa, diversos sócios manifestaram apoio ao executivo com aplausos, episódio interpretado por integrantes do associativo como um indicativo do bom ambiente criado em torno da candidatura da GDA.
MasterCom ainda aposta em reviravolta
Apesar do favoritismo da GDA Luma, a disputa ainda não está encerrada.
A MasterCom Capital mantém confiança de que pode alterar o rumo das negociações e pretende apresentar uma nova proposta à Cork Gully nos próximos dias.
O grupo já demonstrava interesse no Botafogo desde o período em que Thairo Arruda ocupava o cargo de CEO da SAF, mas intensificou sua atuação recentemente diante da abertura formal do processo de venda.
Fontes ligadas ao fundo acreditam que ainda existe espaço para melhorar as condições financeiras da oferta e disputar a preferência da administradora judicial.
O que a Cork Gully procura
Segundo apuração do ge, a proposta vencedora será aquela que conseguir equilibrar três fatores considerados essenciais:
Garantia de um projeto esportivo e empresarial de longo prazo;
Solução para as dívidas urgentes da SAF;
Manutenção de uma equipe competitiva dentro e fora de campo.
Com a análise das propostas avançando e o processo de venda entrando em sua reta final, a expectativa nos bastidores é de que uma definição possa ocorrer nas próximas semanas.
Até lá, a GDA Luma segue como favorita para assumir o controle da SAF do Botafogo, mas a disputa permanece aberta enquanto a Cork Gully conclui sua avaliação das ofertas e busca o investidor que considera mais preparado para liderar o próximo capítulo da história alvinegra.
Quem é o dono das ações da SAF?
Na última quinta-feira, John Textor ingressou com ação contra a Eagle na Justiça do Rio alegando ser o atual dono das ações da SAF do Botafogo.
O acordo de compra e venda da SAF, datado de 11 de novembro de 2022, previa dois cronogramas de ações a serem tomadas pelas partes para a conclusão do negócio. Do lado de Textor, o primeiro requisito era a anotação da transferência das ações de Textor para a Eagle no Livro de Registro de Ações da SAF, o que aconteceu (veja no print abaixo).
A Eagle Holdings BidCo, por sua vez, deveria pagar cerca de R$ 150,3 milhões à Textor na pessoa física. Esta transferência, segundo os advogados do empresário Norte-americano, nunca aconteceu.
O que diz o documento?
Anexo 1 – Obrigações para a Conclusão da Operação
Parte 1 – Obrigações do Vendedor na Conclusão
1. Documentos, etc., a serem entregues
O Vendedor deverá entregar ou providenciar a entrega ao Comprador dos seguintes documentos:
1.1 Um formulário de transferência de ações devidamente assinado, registrado no Livro de Registro de Transferência de Ações da Companhia, referente à transferência das Ações Vendidas pelo Vendedor nos termos deste acordo em favor do Comprador;
1.2 A atualização do registro do Vendedor no Livro de Registro de Ações da Companhia;
1.3 Um formulário de transferência de bônus de subscrição (subscription warrant) devidamente assinado, registrado no Livro de Registro de Transferência de Bônus de Subscrição da Companhia, referente à cessão do bônus de subscrição em favor do Comprador;
1.4 Uma cópia do Contrato de Cessão – Posições Contratuais, devidamente assinada pelo Vendedor;
1.5 Uma cópia do Contrato de Cessão – Bônus de Subscrição, devidamente assinada pelo Vendedor;
1.6 A atualização do registro do Vendedor no Livro de Registro de Bônus de Subscrição da Companhia; e
1.7 Uma renúncia formal devidamente assinada (Creditor Waiver – Renúncia do Credor) referente à Cédula de Crédito Bancário nº 016167929, por meio da qual a Money Plus Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte Ltda. (Money Plus) concedeu à Companhia uma linha de crédito no valor de vinte milhões de reais (R$ 20.000.000,00) (Cédula de Crédito Bancário), que foi integralmente transferida e cedida ao Scorpio Debêntures Incentivadas Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Investimento no Exterior (Scorpio).
Parte 2 – Obrigações do Comprador na Conclusão
1. Pagamento da Contraprestação
O Comprador deverá pagar ao Vendedor o valor acordado pela operação (Consideration, ou contraprestação financeira pela compra).
Resumo do documento
Este trecho estabelece as condições para o fechamento de uma operação de compra e venda de participação societária. O vendedor deve entregar toda a documentação necessária para transferir ações, bônus de subscrição e contratos relacionados, além de apresentar uma renúncia formal de um credor ligado a uma dívida de R$ 20 milhões. Em contrapartida, o comprador tem a obrigação de efetuar o pagamento acordado pela aquisição.
Ou seja: como Textor não teria recebido a quantia que lhe era devida, a equipe jurídica entende que nunca houve conclusão real da transferência de ações. Por isso, apesar da anotação no Livro de Registro da SAF, Textor afirma ser o dono de 90% das ações da SAF do Botafogo.
A defesa de Textor não contesta o registro no livro da SAF Botafogo, e sim a validade jurídica do acordo, visto que não haveria comprovantes de que a Eagle cumpriu sua parte - neste caso, o pagamento a Textor. Conforme apurou o ge, a Cork Gully, administradora judicial da Eagle Bidco, ainda não respondeu formalmente à carta enviada.



