João Paulo Magalhães Lins, Presidente do Botafogo Associativo, opina sobre oferta de Marinakis e Kia Joorabchian e responde Textor após coletiva insana: ¨Ele já fez a GDA dona do Botafogo¨


Presidente do Botafogo Associativo João Paulo Magalhães Lins durante entrevista para a CNN Brasil em 15/04/2026 - Foto Reprodução/CNN Brasil


Crise societária se intensifica com troca de acusações sobre controle da SAF alvinegra


A disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo ganhou novos capítulos nesta semana. Após a entrevista coletiva concedida por John Textor na Barra da Tijuca, foi a vez do presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães Lins, responder às declarações do empresário norte-americano e apresentar sua versão sobre a situação societária do clube.


Em entrevista ao ge, João Paulo rebateu diretamente a afirmação de Textor de que ainda seria o proprietário das ações da SAF alvinegra e alertou para a situação envolvendo a GDA Luma, empresa que passou a ocupar papel central nas negociações recentes.


A coletiva insana de John Textor pode ser vista aqui


Segundo o dirigente, os registros societários mostram que Textor transferiu suas ações para a Eagle Football Holdings e, posteriormente, utilizou esses ativos como garantia em uma operação financeira.


“ No Livro de Registro das Ações, ele sendo controlador, ele próprio tirou do nome dele, ele próprio colocou no nome da Eagle. E ele próprio deu todas as ações e empenhou para a GDA em fevereiro. Ele já fez a GDA dona do Botafogo. Ele está querendo dizer o quê? A gente está conseguindo melhorar a conversa com a GDA, porque ia dar problema. Ele fez essas coisas todas, e ele está querendo dizer o quê? ”, afirmou João Paulo.


Oferta de Kia é considerada inferior à proposta da GDA


Outro ponto revelado pelo presidente do clube associativo envolve as propostas atualmente existentes para aquisição ou reestruturação da SAF.


João Paulo confirmou que o empresário sul-coreano Kia apresentou uma oferta de US$ 50 milhões. No entanto, o dirigente classificou a proposta como inferior à apresentada pela GDA.


“ A oferta de 50 milhões de dólares do Kia é menor que a oferta da GDA, que é de 105 milhões de dólares ”, declarou.


A revelação dos valores adiciona um novo componente ao processo de disputa pelo futuro da SAF, demonstrando que diferentes grupos seguem avaliando oportunidades de investimento no clube.


Relação com Textor se deteriorou nos últimos meses


Durante a entrevista, João Paulo também respondeu às acusações de traição feitas por Textor. O empresário norte-americano afirmou que o dirigente teria mudado de posicionamento durante o processo de arbitragem e das discussões internas envolvendo o controle da SAF.


Segundo João Paulo, ele nunca escondeu que sua atuação estaria vinculada exclusivamente aos interesses do Botafogo e não a relações pessoais.


“ Eu falei para ele o tempo inteiro. Eu falei: ‘Olha só, você está se aproximando de mim, você está conversando comigo, mas você não pode confiar em mim, eu não sou seu amiguinho, eu estou aqui pelo Botafogo. Seu amiguinho é o Durcesio, confia nele. Você não pode confiar em mim’. Eu falei isso olhando na cara dele várias vezes ”, afirmou.


O que disse Textor


Na coletiva realizada no hotel Hilton que fica na Barra da Tijuca, John Textor apresentou uma narrativa completamente diferente dos acontecimentos.


O empresário afirmou que confiava em João Paulo Magalhães e que foi surpreendido por decisões tomadas posteriormente pelo dirigente. Segundo Textor, o presidente do clube social inicialmente defendia a permanência do ex-presidente Durcesio Mello em uma posição estratégica dentro da governança da SAF.


Textor relatou que João Paulo teria demonstrado resistência em votar determinadas medidas societárias, alegando receio de futuras contestações jurídicas. Contudo, segundo o norte-americano, quando teve a oportunidade de agir, o dirigente optou por promover mudanças administrativas em vez de apoiar propostas que, na visão dele, beneficiariam o clube.


O empresário foi ainda mais incisivo ao afirmar que foi enganado tanto por João Paulo quanto por Durcesio durante o processo.


Debate gira em torno do controle efetivo da SAF


O centro da disputa continua sendo a definição sobre quem efetivamente detém o controle das ações da SAF do Botafogo.


Enquanto Textor sustenta que ainda possui direitos sobre a estrutura societária e questiona a legitimidade de determinadas decisões tomadas recentemente, João Paulo afirma que a própria movimentação financeira realizada pelo empresário transferiu o poder econômico das ações para a GDA.


Segundo o presidente associativo, a questão está documentada nos registros oficiais da companhia e demonstra que Textor já não possui os mesmos 90% de participação que controlava anteriormente.


“ O Livro de Registro das ações está claro. Ele, sendo controlador, tirou as ações do próprio nome e colocou no nome da Eagle. Em fevereiro de 2026, empenhou todas as ações em nome da GDA. Ele próprio já tinha feito a GDA dona do Botafogo. O que nós estamos conseguindo fazer é melhorar as conversas com a GDA ”, declarou.


Cenário segue de disputa, porém com Textor podendo ser derrota a qualquer momento de forma completa

A troca pública de acusações evidencia o momento de instabilidade institucional vivido pelo Botafogo. De um lado, John Textor continua defendendo sua legitimidade como figura central da SAF e questiona decisões tomadas nos bastidores. Do outro, João Paulo Magalhães sustenta que os atos societários realizados pelo próprio empresário alteraram a estrutura de controle da companhia.


Com propostas de investimento na mesa, disputas jurídicas em andamento e diferentes interpretações sobre a propriedade das ações, o futuro da SAF do Botafogo permanece em aberto, enquanto torcedores e mercado acompanham atentamente os próximos desdobramentos de uma das maiores crises de governança da história recente do clube.


Bastidores financeiros ampliam debate sobre gestão de Textor


Além da disputa jurídica e societária envolvendo o controle da SAF do Botafogo, o caso também reacendeu discussões sobre a gestão financeira conduzida por John Textor dentro do ecossistema da Eagle Football Holdings.


Nos bastidores do mercado, há quem sustente que a atual crise não se limita ao Botafogo. Críticos da administração do empresário norte-americano argumentam que os problemas teriam começado anteriormente na estrutura da Eagle BidCo, empresa utilizada para controlar os ativos do grupo multiclubes liderado por Textor.


Segundo essa visão, dificuldades financeiras e operacionais registradas dentro da estrutura da Eagle teriam sido agravadas por decisões voltadas para a sustentação financeira do clube francês Olympique Lyonnais. Analistas e observadores do mercado apontam ainda que os reflexos dessas movimentações também atingiram o RWDM, antes de chegarem ao Botafogo.


Embora os defensores de Textor argumentem que o modelo multiclubes enfrentou desafios conjunturais comuns ao futebol global, opositores afirmam que a sequência de acontecimentos demonstra um processo de deterioração financeira que culminou na atual crise da SAF alvinegra.


Leitura dos bastidores após a coletiva


Entre dirigentes, investidores e pessoas próximas às negociações, a interpretação predominante após a coletiva de mais de duas horas concedida por John Textor no Hotel Hilton, na Barra da Tijuca, é que o empresário sinalizou disposição para deixar o comando do Botafogo, mas com preferência por determinados grupos interessados na SAF.


Nos bastidores, interlocutores envolvidos nas negociações resumem a mensagem transmitida por Textor da seguinte forma:


"Eu aceito deixar de comandar o Botafogo, desde que o projeto seja conduzido por grupos alinhados a mim e aos meus parceiros estratégicos, e não pela GDA ou pela Ares."


Essa interpretação, entretanto, não foi verbalizada literalmente por Textor durante a coletiva, sendo uma leitura feita por participantes e observadores do processo.


Expectativa por resposta de credores e investidores


A tensão nos bastidores aumentou após a entrevista. Nós da Gazeta Botafogo, apuramos, que representantes da Ares Management, da Cork Gully e da estrutura da Eagle BidCo estariam preparando uma resposta pública às declarações feitas por Textor.


A expectativa é que manifestações oficiais possam ocorrer nas próximas horas ou até o fim da semana, em um movimento que pode ampliar ainda mais o embate entre as partes envolvidas na disputa pelo futuro da SAF do Botafogo.


Caso haja uma réplica formal dos credores ou dos grupos investidores, o cenário poderá trazer novos esclarecimentos sobre a real situação financeira da Eagle Football, o status das garantias vinculadas às ações da SAF e o papel da GDA nas negociações atualmente em curso.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem