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Franclim Carvalho - Foto/Reprodução: Botafogo TV |
Em uma das piores coletivas de imprensa dos últimos anos desde que o Botafogo se tornou SAF, Franclim Carvalho alegou que Álvaro Montoro (melhor jogador do Botafogo no clássico Vovô contra o Fluminense) jogou abaixo do esperado, e não fez críticas a quem merecia, como Arthur Cabral, Lucas Villalba, Kauan Toledo, Vitinho e Medina.
O Botafogo continua invicto após a Copa do Mundo 2026, mas desperdiçou a chance de vencer o Fluminense na noite deste sábado 8/8, após sair na frente no Nilton Santos, e dar um salto na tabela do Campeonato Brasileiro. O time alvinegro sofreu o empate em 1 a 1 e deixou o estádio com um gosto amargo na boca. Em entrevista coletiva depois do clássico, o técnico Franclim Carvalho criticou a atuação de seus comandados, mas de maneira relativa e sem qualquer tipo de régua da meritocracia.
Assista abaixo:
- Estivemos abaixo do que queríamos e conseguimos fazer, é responsabilidade única e exclusiva do treinador. Os primeiros 15 minutos do segundo tempo foram muito abaixo, principalmente em termos de agressividade. E o adversário acaba por ter um escanteio, e numa terceira bola acaba por fazer o gol. Eles têm gente muito grande, muito alta, mas fruto da nossa passividade, principalmente nesse início do segundo tempo. E depois, obviamente que naquela parte final nós teríamos que ir à procura e fomos. Metemos mais gente à frente, mas mais com o coração do que com a cabeça, um pouco mais atrapalhado.
- Recordo que no primeiro tempo, estava 1 a 0 e temos uma chance com o Vitinho na segunda trave. Depois temos dois lances no segundo tempo do Cabral, que está no mano a mano e vai para dentro, e do Villalba também na cara, dentro da área já. E lembro-me do lance do adversário em que o Warleson defende de cabeça até. Mas parece a mim que foi um jogo pobre em termos de qualidade, de parte a parte. A nós, compete controlar a nossa parte. Tínhamos que apresentar mais e melhor, não apresentamos.
Sobrou até para Montoro, que foi um dos melhores em campo do Botafogo no clássico. O treinador, porém, discordou. Ao ser perguntado por que substituiu o meia argentino, Franclim respondeu que foi por questões físicas e fez críticas à atuação do jogador, apesar de reconhecer o seu talento:
- Minha ideia foi que o Montoro ¨estava morto¨ há 10 ou 15 minutos. Com dificuldades físicas, peço desculpa pelo termo, há 10 ou 15 minutos. Tínhamos que colocar mais gente na frente. Queria ter mais posse de bola nesse momento do jogo que o adversário. Queria ter mais presença na área. No último jogo antes da parada, contra o Bahia, o Montoro fez um jogo muito bom e saiu com câimbras. Já fez jogos bons, fez jogos fracos ou não tão bons.
- Tem que ser muito mais regular na minha opinião. Vou discordar de você. E tem que ser mais incisivo na frente, mais objetivo, tem muita qualidade, é um jogador acima da média. Mas tem 19 anos e uma margem grande de evolução. Estamos aqui para tentar ajudar a melhorar e ele tem contribuído para isso porque sabe que primeiro está a equipe e depois, ele. Hoje acho que não esteve tão bem quanto nas duas últimas partidas.
Veja outras respostas:
Postura na volta do intervalo
- Se eu converso ou não no vestiário, fica lá dentro. Mas não houve. Temos tempo de conversar porque vamos treinar amanhã de manhã. Sobre a mudança do primeiro para o segundo tempo, eu não estava satisfeito com o primeiro tempo e não fiquei satisfeito com o início do segundo tempo. Ficamos um tanto passivos, se calhar o Vitinho falou nesse sentido. Eles que estão lá dentro sentem de forma diferente. A ideia que tive do lado de fora é que faltou agressividade nesses primeiros minutos.
- Não podemos nos acomodar com uma vitória tão magra de um gol porque o adversário tem dificuldade, jogadores altos que causam dificuldade em bola parada, e foi o que aconteceu. Nos colocamos desse jeito por 15 minutos. Depois, mais com o coração do que com a cabeça, tentamos, tentamos, tentamos, mas não conseguimos. Com pouca qualidade também. Acho que o coração se sobrepôs à cabeça.
Não teve volante de origem
- São jogadores de características diferentes. Jogamos muito tempo com Medina e Danilo. Nos últimos 6 ou 7 jogos jogaram Hugo e Medina. Nos últimos, jogou o Danilo. São diferentes. O Huguinho e o Domingos são mais primeiro volantes. O Allan pode ser primeiro ou segundo. O Medina pode ser primeiro e segundo. O Danilo não pode ser primeiro, só em desvantagem no marcador. Não podemos lamentar ausências, até porque tínhamos muita gente disponível, exceto o Huguinho e os machucados. Optamos pelo Medina em vez do Domingos. Não conseguimos controlar a bola como pensamos e como os dois meias nos permitiam pois têm qualidade com a bola.
Falta mais cruzamentos?
- Não vejo isso como problema e não concordo com a análise. Procuramos uma forma de atacar sempre com dois homens nas pontas. Normalmente colocamos muita gente na área, como hoje. Respeito, mas não concordo com a colocação. Identificamos os jogadores que queremos, senão conseguirmos, estamos satisfeito com os jogadores que temos. O lance do Vitinho a que me referi há pouco é um cruzamento à esquerda, o lance do Cabral também. Depende também da forma como o adversário se defende. Mas não concordo que temos uma carência nos cruzamentos.
Dificuldades em jogos em casa
- Para mim, em casa e fora. Quando vocês dividem as questões ou fazem a análise separadamente... "A equipe ataca melhor que defende, melhor fora do que em casa". São números que tem. Obviamente temos mais empates do que desejávamos. Às vezes empatamos no fim ou sofremos no fim. Nosso gramado não tem a mesma qualidade que tinha antes. Isso é para nós e o adversário. Mas se formos analisar os jogos, vemos deficiências e virtudes em casa e fora. Por isso não gosto de dividir assim. Poderia dizer que o adversário também vem com uma postura diferente. Às vezes acontece, em outras, é responsabilidade nossa. Outras vezes é questão da gestão do tempo do árbitro. Hoje eu perguntei, por curiosidade. Depois da parada (para Copa), acho que temos jogos muito parados.
- Não perdemos depois da parada. Mas hoje tivemos 45 + 4 (acréscimos no primeiro tempo) e depois 45 + 8 (no segundo). Tivemos 52 minutos de tempo útil. É responsabilidade das equipes, mas é muita responsabilidade do árbitro. Dá quatro minutos, se só se joga um, tem que dar mais um ou dois. Se dá sete e só se joga um, tem que dar mais dois ou três. Fomos ver, em 52 minutos teve 35 faltas. É uma média de uma falta a cada minuto e meio. Não pode ser. O Warleson levou amarelo umas rodadas atrás porque o juiz entendeu que estava queimando tempo. O Fábio hoje bateu o tiro de meta como quis. O árbitro não avisa. Não culpo o árbitro pelo empate. Falei com o árbitro assistente que temos que melhorar isso. Para falar dos resultados em casa, às vezes o adversário pode entender que um ponto fora não é ruim. O árbitro pode controlar o jogo, dar mais tempo, é o que pode fazer.
Postura do Fluminense
- Não me surpreendeu a escalação dos adversários, hoje de manhã me mandaram notícia dos 11 do adversário. Fico surpreso sobre como conseguem essa informação. Já aconteceu conosco no caso do Lucas Emanuel. O que muda no adversário é que, com o Ganso, o Acosta ou o Sava naquela posição, são as características. O Ganso é inteligente, vinha fora da posição, chegava na ponta e tínhamos que desmontar e defendemos bem. Não lembro de tirarem proveito disso. Perdemos capacidade de pressão ao fazer isso (marcar a saída do Ganso).
Problemas dos pontas
- Nós temos a cobertura ao lateral normalmente com o zagueiro ou volante, e não com o ponta. Pedimos aos pontas para avançarem na pressão. Hoje, havia vezes que deveriam ter subido, e não subiram. E outras em que deveriam ter recuado e não recuaram. Acho que principalmente os 15 minutos do segundo tempo apresentaram falta de agressividade da nossa parte. Acho que o Vitinho falou sobre isso. Mesmo que tenham sido 15 dias (sem jogos), estudamos os adversários da mesma forma porque temos nossa metodologia. Depois temos de trabalhar porque a prioridade é nossa ideia. Temos que nos adaptar e procurar os espaços. Com a bola apresentamos pouco, até porque tínhamos dois volantes capazes de trabalhar com a bola.
Ausência do Santi
- O Santi não foi relacionado por opção como não foi o Kadu, o Anthony. Única e exclusivamente opção e mais nada. É atleta do clube, tem contrato, e não foi relacionado por isso.
Alex Telles
- É um jogador que a torcida abraçou. Estamos satisfeito com o Alex, é um dos nossos líderes. Fez um gol que não é mérito da comissão, mas qualidade do jogador. Estamos satisfeito com a continuidade. A diretoria trabalhou para isso e conseguiu. É importante manter o ritmo e a qualidade porque precisamos dele. E acreditamos que não vai baixar.
Posicionamento de Arthur Cabral
- Nós colocamos muita gente na área. Tivemos um lance no final do primeiro tempo que o Vitinho finalizou na área. Começamos o jogo com Kauan, Villalba, Montoro e Cabral. Danilo, que vocês chamam de meia, volante, já fez as duas posições, tem chegada na área. Medina tem chegada. O Cabral se vier em apoio para fazer o pivô, ou uma tabela, ou se for solicitado no espaço, vai ter que ter gente na área. E não é o Cabral. Se eu depender só do Cabral para estar na área e também receber a bola na profundidade, com certeza não vamos ter 35 gols na rodada em que estamos. Senão vamos deixar o adversário confortável.
- Acredito que no primeiro tempo poderíamos ter pisado mais na área. Depois começamos a colocar mais gente lá. Temos jogadores com essas características e é mais difícil para o adversário defender quem vem de trás para frente, procuramos colocar gente dessa forma. Temos que ter uma ou duas referências. Depois colocamos o Villalba também. Quando jogamos com dois atacantes queremos ter duas. Quando jogamos com um queremos ter uma, e depois os que chegam, com dois, três ou quatro. Depende da zona da bola e dos jogadores que temos em campo.
Lesão do Barrera
- Não (tive contato). Me parece grave. A informação que tivemos é que pode ser grave, ele foi direto para o hospital. Não consegui falar com o Barrera. Se não for hoje, que seja amanhã. É uma situação desagradável, principalmente para o atleta. Me parece que foi grave, foi sozinho e a com a dor ele estava muito queixoso.
