Reunião de credores do caso Credivalores/Crediservicios onde a GDA LUMA é ré no Tribunal de falências do Sul de Nova York, ocorre nesta quarta-feira por videoconferência


Foto: Credivalores/Andrés Cardona


A reunião de credores do caso Credivalores/Crediservicios S.A. acontece nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, por videoconferência, com participação dos credores envolvidos no processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.


A nova sessão de foi iniciada às 11h30, no horário de Nova York (EUA), correspondente a 12h30 pelo horário de Brasília. Trata-se da continuidade da Reunião de Credores prevista na Seção 341(a) da legislação de falências norte-americana.


De acordo com o registro público do processo 1:24-bk-10837, no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, o administrador (Trustee) Salvatore LaMonica apresentou, em 9 de setembro, o aviso de continuidade da reunião de credores para esta quarta-feira. 


Entre as partes relacionadas ao processo está a GDA Luma Capital Management, LP, que figura como ré em ação adversária apresentada pelo administrador em junho de 2026. O processo inclui alegações relacionadas à recuperação de dinheiro ou propriedade, preferência e transferência fraudulenta, conforme descrito no registro judicial. 


A GDA Luma também é conhecida no Brasil por sua atuação no mercado de crédito e por ter realizado empréstimo DIP (Debtor-in-Possession) para a SAF Botafogo.


Dados da reunião

Segundo o aviso registrado no processo judicial, a reunião foi marcada para:


Data: 23 de setembro de 2026


Horário: 11h30 — Nova York


Horário de Brasília: 12h30


Plataforma: Zoom


Meeting ID: 826 143 8559


Código de acesso: 6503562880


Telefone: +1 (516) 898-7589


Administrador: Salvatore LaMonica


O registro também mostra que essa reunião vem sendo sucessivamente continuada. Antes do encontro desta quarta-feira, havia sido marcada uma sessão para 26 de agosto de 2026, igualmente às 11h30, pelo mesmo sistema de videoconferência. 


A reunião desta quarta-feira ocorre, portanto, no contexto da continuidade do procedimento de insolvência de Credivalores/Crediservicios, com o administrador judicial conduzindo a reunião de credores e tratando das questões relacionadas ao processo em que a GDA LUMA é ré. 


Caso Credivalores ganha importância no cenário financeiro e societário da SAF Botafogo

A situação envolvendo a GDA Luma ganha peso no contexto da disputa pelo controle da SAF Botafogo porque a empresa ocupa, ao mesmo tempo, a posição de credora do Botafogo e de parte diretamente envolvida no acordo para assumir o controle da SAF.


Em fevereiro de 2026, quando a SAF ainda estava sob o comando de John Textor, a GDA Luma concedeu um empréstimo de US$ 25 milhões, equivalente, na cotação utilizada pelo ge à época, a aproximadamente R$ 124,2 milhões. Desse montante, US$ 22,8 milhões, cerca de R$ 113,3 milhões, foram efetivamente disponibilizados ao Botafogo após a dedução das taxas da operação. 


O contrato estabeleceu uma série de garantias em favor da GDA, incluindo direitos creditórios relacionados ao elenco e mecanismos de controle sobre receitas provenientes de transferências de jogadores. Também foram previstos penhores de ações relacionados à estrutura societária da SAF. 


Posteriormente, segundo a documentação divulgada no processo de Recuperação Judicial do Botafogo, a GDA Luma aparece como credora de aproximadamente R$ 186,82 milhões. A SAF possui, no processo, um passivo sujeito à recuperação judicial de cerca de R$ 1,286 bilhão, enquanto a dívida total supera R$ 2,5 bilhões. 


Esse número é particularmente relevante porque demonstra que a relação entre Botafogo e GDA não se limita à negociação societária. A GDA já possui uma posição financeira expressiva como credora da SAF.


O acordo para a venda da SAF

Em 5 de junho de 2026, Botafogo e GDA Luma assinaram um acordo vinculante para a futura venda de 90% da SAF a Gabriel de Alba.


O valor previsto para a operação é de US$ 105 milhões, aproximadamente R$ 503 milhões na cotação utilizada na divulgação do acordo. O primeiro aporte previsto era de US$ 25 milhões, aproximadamente R$ 130 milhões. 


Como a GDA já havia emprestado US$ 25 milhões ao Botafogo, o acordo previa, segundo o ge, que o clube receberia aproximadamente US$ 80 milhões líquidos da operação, depois de considerado o valor anteriormente emprestado. 


Assim, os números colocam a GDA em uma posição singular dentro da atual estrutura do Botafogo: a empresa aparece como credora de aproximadamente R$ 186,8 milhões na recuperação judicial e, simultaneamente, como parte de um acordo avaliado em aproximadamente R$ 503 milhões para assumir 90% da SAF, porém ainda não houve esta assinatura.


A dívida que pode chegar a aproximadamente R$ 273 milhões

O contrato de financiamento também prevê mecanismos de remuneração e garantias em caso de determinados eventos de inadimplência. Segundo o ge, após um evento de inadimplência não sanado, a dívida teria passado de US$ 25 milhões para pelo menos US$ 55 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 273,3 milhões na cotação utilizada pela reportagem. 


O mesmo contrato prevê, segundo a publicação, crescimento da obrigação a partir de uma taxa mensal de 20% de juros após o início do processo mencionado na reportagem. 


Esses valores ajudam a dimensionar por que a posição da GDA é relevante para o futuro financeiro da SAF: existe uma relação de crédito de dezenas ou centenas de milhões de reais entre as partes, ao mesmo tempo em que existe um acordo para transferência do controle societário.


Textor, Eagle e a transferência das ações

A operação, entretanto, não significa que a GDA tenha assumido imediatamente o controle da SAF.


Quando o acordo foi anunciado, ainda havia questões envolvendo Eagle, Lyon e a titularidade das ações. John Textor, que havia sido afastado do comando da SAF, contestava a situação societária e afirmava ser proprietário de 90% das ações. 


O próprio acordo de novo empréstimo DIP divulgado pelo Botafogo estabeleceu que a transferência definitiva para a compra da SAF pela GDA LUMA via Gabriel de Alba dependeria da resolução dessas questões.


É justamente nesse ponto que os valores financeiros e a disputa societária se cruzam: a GDA não é apenas uma potencial compradora da SAF. Ela também é uma credora relevante, com um crédito listado judicialmente em aproximadamente R$ 186,8 milhões, enquanto o financiamento original de R$ 124,2 milhões poderia alcançar, nas condições descritas no contrato e após o evento de inadimplência apontado pelo ge, pelo menos R$ 273,3 milhões. 


Por isso, o desenrolar do caso Credivalores/Crediservicios e a situação jurídica da GDA nos Estados Unidos são elementos que merecem acompanhamento dentro do contexto mais amplo da disputa pelo controle e da reestruturação financeira da SAF Botafogo.

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