Botafogo Social assume 99,18% das ações de acionistas, dilui participação da Eagle BidCo e abre caminho para venda da SAF à Gabriel de Alba da GDA LUMA

Clube social adquiriu as novas ações após a Eagle Football BidCo abrir mão do direito de preferência; movimento fortalece a posição do Alvinegro e pode facilitar a transferência do controle da SAF para a GDA Luma Capital, ligada ao empresário mexicano Gabriel de Alba



João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo, em partida contra o Bragantino, pelo Campeonato Brasileiro Série A 2026 em 12 de Setembro de 2026. — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF


O Botafogo deu um passo importante na reorganização societária de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em comunicado divulgado na manhã desta terça-feira (27 de outubro), o clube social informou que passou a deter 99,18% do capital social da empresa responsável pelo futebol alvinegro. Com a operação, a participação da Eagle Football Bidco foi reduzida a apenas 0,82%, alterando significativamente a distribuição acionária da SAF.


A mudança ocorreu após a Eagle comunicar que não exerceria seu direito de preferência para adquirir parte das novas ações emitidas no aumento de capital da companhia. Sem a participação da empresa nesse processo, o Botafogo associativo conseguiu ampliar sua fatia acionária e consolidar uma posição amplamente majoritária.


O movimento também tem importância estratégica para o futuro do futebol do clube. Com a concentração das ações nas mãos do Botafogo social, o caminho para uma eventual venda da SAF à GDA Luma Capital, ligada ao empresário mexicano Gabriel de Alba, pode se tornar mais simples do ponto de vista societário. A conclusão de uma negociação, porém, ainda depende dos procedimentos e das condições aplicáveis à operação.


Eagle abre mão do direito de preferência

Segundo o comunicado do Botafogo, a Eagle Football Bidco informou no dia 22 de outubro que não pretendia exercer o direito de preferência para comprar parte das novas ações emitidas pela SAF. A decisão permitiu que o clube social avançasse na aquisição dos papéis e aumentasse sua participação no capital da empresa.


O direito de preferência oferecia à Eagle a possibilidade de adquirir uma parcela das ações disponibilizadas no aumento de capital, preservando parte de sua participação societária. Ao optar por não participar da operação, a companhia abriu espaço para que o Botafogo assumisse praticamente a totalidade do capital social.


A Eagle Bidco é administrada pela Cork Gully, conforme as informações divulgadas sobre o processo. Com a diluição de sua participação para 0,82%, a empresa deixa de ocupar a posição acionária que mantinha anteriormente na estrutura da SAF.


Aumento de capital foi aprovado em setembro

A origem da operação está na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em 24 de setembro, quando foi aprovado o aumento do capital social da SAF Botafogo, com a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B.


Durante a assembleia, o presidente do clube social, João Paulo Magalhães Lins, sinalizou que o Botafogo exerceria o direito de preferência para adquirir 51% das novas ações. Essa parcela correspondia a 102 milhões de papéis, dentro do total de 200 milhões aprovados na operação.


No dia seguinte à assembleia, em 25 de setembro, o clube realizou um pagamento de pouco mais de R$ 1 milhão, relacionado à aquisição inicialmente anunciada. Posteriormente, com a decisão da Eagle de não exercer seu direito de preferência, o Botafogo avançou para adquirir as ações restantes que lhe permitiram alcançar a participação de 99,18%.


O processo, portanto, foi desenvolvido em etapas: primeiro, a aprovação do aumento de capital; depois, a manifestação do clube para adquirir parte das novas ações; e, por fim, a ampliação de sua participação após a desistência da Eagle de comprar os papéis a que poderia ter direito.


Como ficou a divisão acionária da SAF

Com a conclusão das aquisições mencionadas pelo clube, a distribuição do capital social passou a ser a seguinte:


Botafogo social: 99,18% do capital social da SAF.

Eagle Football Bidco: 0,82% do capital social da SAF.

A diferença entre as participações coloca o clube associativo em posição amplamente dominante na estrutura acionária. Na prática, a Eagle passa a deter uma parcela residual do capital, enquanto o Botafogo concentra quase todas as ações.


A alteração representa uma mudança relevante na composição societária do futebol alvinegro. Antes da operação, a presença da Eagle fazia parte de uma estrutura empresarial que envolvia o controle e a gestão da SAF. Com a nova distribuição, o clube social passa a reunir a esmagadora maioria das ações, criando condições mais favoráveis para decidir os próximos passos societários.


É importante distinguir, entretanto, a participação no capital social dos demais aspectos de governança, administração e eventuais obrigações contratuais. A nova divisão acionária não significa, por si só, que todas as questões jurídicas e operacionais relacionadas à SAF estejam automaticamente resolvidas.


Participação reduzida da Eagle pode facilitar a venda

Um dos principais efeitos estratégicos da operação é a possibilidade de simplificar uma futura negociação envolvendo a SAF Botafogo.


Com 99,18% das ações concentradas no clube social, a transferência da participação majoritária poderá ser estruturada de maneira mais direta, caso as partes cheguem a um acordo e sejam cumpridas as exigências legais, contratuais e societárias pertinentes.


A participação residual de 0,82% da Eagle reduz o peso da empresa na composição acionária e pode diminuir a complexidade de uma operação de transferência das ações. Isso não elimina, necessariamente, a necessidade de verificar direitos de terceiros, obrigações existentes, aprovações aplicáveis ou outros instrumentos contratuais que possam interferir na transação.


Nesse contexto, a reorganização pode representar uma etapa preparatória para uma possível mudança de controle da SAF. O Botafogo passa a ter maior concentração acionária justamente em um momento no qual a possibilidade de transferência do negócio para um novo investidor está no centro das discussões sobre o futuro do futebol do clube.


GDA Luma Capital aparece como possível destino da SAF

A GDA Luma Capital, ligada ao empresário mexicano Gabriel de Alba, é apontada como possível adquirente da SAF Botafogo. A operação, caso avance, poderá representar uma nova etapa na estrutura empresarial do futebol alvinegro.


A concentração de 99,18% das ações nas mãos do Botafogo social pode facilitar a negociação com o grupo interessado, pois reduz a dispersão da participação acionária e permite que a maior parte dos papéis esteja concentrada em um único acionista.


A estrutura também pode tornar mais objetiva a definição do percentual a ser transferido em uma eventual venda. Em vez de negociar com diversos acionistas titulares de parcelas expressivas do capital, o potencial comprador poderá tratar principalmente com o clube social, observadas as condições da operação.


Ainda assim, a aquisição não deve ser tratada como concluída. A mudança na composição acionária abre uma possibilidade para a negociação, mas não equivale à assinatura definitiva de um contrato de compra e venda, à transferência efetiva do controle ou à conclusão de todos os trâmites necessários.


Para que a GDA Luma Capital assuma o controle do futebol do Glorioso, será necessário que a transação avance formalmente e que suas condições sejam cumpridas.


O que muda para o Botafogo

A decisão tem repercussões principalmente societárias e estratégicas. Ao ampliar sua participação para 99,18%, o Botafogo social passa a concentrar quase a totalidade do capital da SAF, fortalecendo sua posição nas decisões relacionadas à estrutura acionária e a uma eventual negociação futura.


O movimento também representa uma mudança na relação entre o clube associativo e a Eagle. Com apenas 0,82% das ações, a empresa passa a ter participação muito menor no capital social, o que altera o equilíbrio acionário estabelecido anteriormente.


Para o torcedor, porém, é importante separar a reorganização societária dos resultados esportivos imediatos. A mudança não representa, automaticamente, a entrada de novos recursos no departamento de futebol, a contratação de jogadores, a alteração do orçamento esportivo ou uma transformação instantânea na administração cotidiana do time.


Os efeitos concretos dependerão dos próximos passos da negociação, da situação financeira da SAF, dos compromissos assumidos pelas partes e do modelo de gestão que vier a ser estabelecido.


Próximos passos e pontos de atenção

Com a nova distribuição acionária, o foco passa a ser a eventual evolução das conversas com a GDA Luma Capital e a definição das condições para uma possível transferência de controle.


Entre os pontos que merecem acompanhamento estão:


Formalização da negociação: eventual assinatura de documentos vinculantes para a venda da SAF.

Condições financeiras: preço, forma de pagamento, aportes previstos e responsabilidades assumidas pelo potencial comprador.

Aspectos jurídicos e societários: análise dos contratos existentes, dos direitos associados às ações e das aprovações eventualmente necessárias.

Continuidade da operação esportiva: garantias relacionadas ao funcionamento da SAF e ao cumprimento de compromissos financeiros e esportivos.

Conclusão da transferência: efetivação da mudança de controle somente após o cumprimento das condições aplicáveis.

Esses fatores serão determinantes para avaliar se a reorganização acionária resultará efetivamente na entrada de um novo controlador e quais serão as consequências para o futuro do futebol alvinegro.


Uma mudança importante na estrutura do futebol alvinegro

A aquisição das novas ações e a diluição da participação da Eagle Football Bidco marcam uma etapa relevante na reorganização da SAF Botafogo. Com 99,18% do capital social, o clube associativo assume uma posição amplamente majoritária, enquanto a Eagle fica reduzida a 0,82%.


O processo teve como ponto de partida o aumento de capital aprovado em setembro e ganhou novo impulso depois que a Eagle informou, em 22 de outubro, que não exerceria seu direito de preferência. A partir dessa decisão, o Botafogo pôde ampliar sua participação e concentrar praticamente todas as ações da companhia.


Além de modificar a composição acionária, o movimento pode facilitar uma eventual venda da SAF à GDA Luma Capital, de Gabriel de Alba. O cenário, entretanto, ainda exige cautela: a concentração das ações é um passo societário importante, mas não deve ser confundida com a conclusão de uma venda.


O próximo capítulo dependerá das negociações e da formalização de uma eventual transferência. Até lá, o Botafogo social passa a ocupar uma posição central na estrutura acionária da SAF, em uma mudança que pode ser decisiva para definir o futuro empresarial do futebol do Glorioso.



O Botafogo lançou Nota Oficial à respeito:



Leia abaixo a nota oficial:

A SAF Botafogo esclarece que a Eagle Bidco, acionista minoritária da SAF, informou à SAF em 22 de outubro de 2026 que não exerceria seu direito de preferência na subscrição das ações emitidas no âmbito do aumento de capital da SAF aprovado pelo Botafogo de Futebol e Regatas na AGE de 24 de setembro de 2026 visando reforçar os recursos financeiros da SAF Botafogo e assegurar o cumprimento de suas obrigações financeiras, especialmente o pagamento de salários. 


Diante: (i) da informação prestada por escrito pela Eagle Bidco de que não exerceria o direito de preferência para subscrição das ações; e (ii) do decurso do prazo de 30 (trinta) dias para que a Eagle exercesse o seu direito de subscrição das ações do aumento de capital, o Botafogo de Futebol e Regatas subscreveu em 25 de outubro de 2026 a totalidade das ações remanescentes emitidas na referida AGE e passou a deter mais de 99% do capital social da SAF Botafogo.


A SAF Botafogo esclarece ainda que embora os direitos políticos de sua acionista minoritária Eagle Bidco estejam suspensos por decisão judicial proferida pela 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, seguiu estritamente todos os trâmites legais e contratuais para o aumento de capital, incluindo especialmente a publicação do Edital de Convocação para a AGE de aumento de capital, o embasamento financeiro para determinar o preço de emissão justo das ações do aumento de capital por meio da contratação de laudo de avaliação emitido pela Meden Consultoria, empresa de avaliação renomada e que presta serviços à Companhia desde 2021, bem como abriu o prazo de 30 dias previsto na AGE para a Eagle exercer seu direito de preferência para a subscrição da parcela das ações emitidas na AGE proporcionais à sua participação de 49% no capital social da SAF. 


Por fim, a SAF Botafogo e seu acionista majoritário Botafogo de Futebol e Regatas esclarecem que a subscrição das ações pelo Botafogo de Futebol e Regatas não acarretará qualquer mudança operacional para a SAF Botafogo, que seguirá operando normalmente suas atividades administrativas, financeiras, jurídicas e esportivas, mantendo a atual estrutura executiva corporativa e de futebol com as seguintes posições:


– CEO: Eduardo Hahn Iglesias

– Diretor de Futebol: Léo Coelho

– ⁠Diretor de Player Trading (Troca de jogadores): Deive Bandeira

– Diretor da Base: Augusto Oliveira

– CFO: Felipe Moreira

– CRO (Chief Revenue Officer) Diretor de Receita: Victor Oliveira

– Diretora de Operações: Flavia Merheb

– Diretor Comercial: Marcelo Furtado

– Diretor Jurídico: Pedro Felipe

– Diretor de Comunicação e Branding: Julio Gracco


O Botafogo de Futebol e Regatas reafirma seu compromisso com a estabilidade institucional, a continuidade das operações e a adoção das medidas necessárias para assegurar o cumprimento de suas obrigações e a sustentabilidade da SAF Botafogo, visando o soerguimento da Companhia e a continuidade de sua recuperação judicial.


SAF Botafogo


Botafogo de Futebol e Regatas

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