John Textor voltou a deixar claro que não pretende abandonar a disputa pelo controle da SAF do Botafogo. Nesta terça-feira (27/10), o empresário norte-americano divulgou um posicionamento no qual reafirmou sua intenção de retornar ao comando do futebol alvinegro e declarou que não permitirá que o futuro do clube seja decidido sem sua participação.
A manifestação ocorre em um momento decisivo para a estrutura societária do Glorioso. Após a Eagle Football Bidco não exercer seu direito de preferência na aquisição de novas ações da SAF, o Botafogo de Futebol e Regatas, por meio do clube social, passou a deter 99,18% do capital social, enquanto a participação da Eagle foi reduzida a apenas 0,82%.
Apesar da mudança acionária, Textor sustenta que continua sendo o legítimo proprietário das ações que originalmente pretendia transferir à Eagle. O empresário se apoia em uma decisão judicial favorável obtida nos Estados Unidos, mas cujo reconhecimento e efeitos no Brasil ainda dependem dos procedimentos jurídicos pertinentes.
Em sua declaração, ele também apresentou uma proposta de reconciliação entre as partes envolvidas no conflito. Textor citou diretamente o presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e Gabriel de Alba, investidor ligado à GDA Luma, grupo que está no caminho para assumir uma participação majoritária na SAF.
O discurso combina contestação jurídica, críticas à condução da disputa societária e uma tentativa de reaproximação política. Ao mesmo tempo que reivindica o direito de voltar ao clube, Textor afirma estar disposto a deixar divergências pessoais de lado para construir uma solução conjunta.
Vitória nos Estados Unidos é o principal argumento de Textor
O centro da argumentação de John Textor é a decisão favorável obtida na Justiça da Flórida, em setembro deste ano. O tribunal norte-americano reconheceu, no processo envolvendo a Eagle Bidco, a propriedade de Textor sobre 90 mil ações ordinárias Classe B da SAF Botafogo, equivalentes a 90% do capital social e votante, segundo a versão divulgada pelo próprio empresário.
A decisão foi apresentada por Textor como uma confirmação de que a transferência das ações para a Eagle não teria sido concluída validamente, diante do não pagamento da contrapartida financeira prevista no acordo original.
Com base nesse entendimento, o norte-americano passou a defender que a disputa pela propriedade das ações estaria resolvida nos Estados Unidos e que o Brasil deveria reconhecer o resultado.
Na declaração desta terça-feira, ele voltou a contestar as interpretações de que a decisão norte-americana não produziria efeitos no território brasileiro. Textor argumentou que está buscando o reconhecimento de seus direitos no Brasil e a anulação de atos societários que considera irregulares.
O empresário também criticou a demora na análise de seus pedidos pela Justiça brasileira. Segundo ele, o impasse não pode continuar indefinidamente, especialmente porque o clube precisa de estabilidade administrativa e financeira.
Entretanto, existe uma diferença fundamental entre o reconhecimento de um direito por um tribunal estrangeiro e a produção de efeitos jurídicos no Brasil. A decisão norte-americana não altera automaticamente os registros societários brasileiros nem invalida, por si só, deliberações realizadas no país.
O conflito continua sujeito à apreciação da Justiça brasileira, onde Textor procura assegurar o reconhecimento de sua posição e questiona os atos que levaram à redução da participação da Eagle. Portanto, a vitória nos Estados Unidos representa um argumento importante para o empresário, mas não significa, isoladamente, que ele já tenha recuperado o controle da SAF.
A mudança na composição acionária é um dos principais fatores que aumentaram a pressão sobre Textor.
Em 24 de setembro, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou um aumento de capital de R$ 2 milhões, mediante a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias Classe B, ao preço de R$ 0,01 por ação.
O clube social adquiriu inicialmente 102 milhões de ações, correspondentes à sua participação de 51% na estrutura então existente. A Eagle Bidco, que tinha 49%, recebeu o prazo previsto para exercer seu direito de preferência e adquirir as ações restantes, mas informou que não faria a subscrição.
Com o encerramento do prazo, o Botafogo Social subscreveu, em 25 de outubro, as ações remanescentes. O resultado foi a elevação de sua participação para 99,18%, deixando a Eagle com apenas 0,82%.
Em comunicado, a SAF afirmou que seguiu os procedimentos legais e contratuais para o aumento de capital, incluindo a convocação da assembleia, a definição do preço das ações com base em avaliação financeira e a abertura do prazo para o exercício do direito de preferência.
O clube também destacou que os direitos políticos da Eagle estavam suspensos por decisão da Justiça do Rio de Janeiro.
Textor, por outro lado, questiona a validade da operação e sustenta que as ações que considera suas foram objeto de uma diluição irregular. Essa divergência é central para a continuidade da disputa.
Na prática, a nova distribuição acionária fortalece a posição formal do clube social e facilita os próximos passos para uma eventual transferência do controle à GDA Luma. Mas a controvérsia judicial levantada por Textor permanece como um fator de incerteza.
GDA Luma entra no centro da disputa pelo futuro do futebol alvinegro
A redução da participação da Eagle também abre caminho para o avanço das negociações com a GDA Luma, grupo ligado ao investidor Gabriel de Alba.
O projeto de transferência de aproximadamente 90% da SAF para a empresa representa uma possível mudança de comando no futebol do Botafogo, que passaria a contar com um novo investidor majoritário.
Gabriel de Alba já vinha participando de movimentos relacionados à sustentação financeira do clube, enquanto a operação societária era preparada. A expectativa de uma transferência de ações ganhou força depois que a Eagle deixou de exercer seu direito de preferência.
É nesse contexto que Textor decidiu mencionar diretamente o investidor em sua proposta de reconciliação.
O norte-americano afirmou ter solicitado que a GDA e Gabriel de Alba interrompam o que considera interferências em sua propriedade da SAF. Ao mesmo tempo, declarou estar disposto a trabalhar com o grupo, seja em uma relação de credor, seja como investidor, desde que haja interesse genuíno no desenvolvimento do Botafogo.
A posição revela uma tentativa de não excluir completamente a GDA do futuro do clube, mesmo enquanto Textor contesta a estrutura societária que abriu espaço para sua entrada.
Na visão do empresário, seria possível conciliar os interesses financeiros do novo investidor com sua reivindicação de propriedade. Para isso, porém, seria necessário encontrar uma solução que levasse em consideração as decisões judiciais, os compromissos financeiros e a situação jurídica das ações.
O problema é que a proposta de Textor não elimina a disputa sobre quem tem legitimidade para negociar a SAF. Enquanto o clube social sustenta sua participação acionária atual, o empresário insiste que a origem da controvérsia precisa ser resolvida antes que o futuro do futebol seja definido.
Textor convoca João Paulo Magalhães Lins e Carlos Augusto Montenegro para o diálogo
A proposta de reconciliação também tem um componente político importante.
Ao citar João Paulo Magalhães Lins, atual presidente do Botafogo, e Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente e figura influente nos bastidores do clube, Textor direcionou sua mensagem às principais lideranças do campo associativo.
A iniciativa ocorre depois de meses de confrontos públicos e judiciais. As divergências envolvem o controle da SAF, a capacidade de financiamento do futebol, o cumprimento de obrigações financeiras e a legitimidade das decisões tomadas durante a transição de poder.
Em setembro, tentativas anteriores de aproximação já haviam encontrado resistência. Montenegro, segundo relatos publicados à época, rejeitou a possibilidade de uma negociação conduzida nos termos defendidos pelo empresário e sustentou que Textor deveria responder diretamente ao clube ou à Justiça pelas questões pendentes.
Agora, o norte-americano tenta apresentar uma nova abordagem. Em vez de limitar sua manifestação à contestação da diluição acionária, ele defende que as partes deixem de lado as diferenças pessoais e busquem uma solução em benefício da instituição.
A mensagem sugere que Textor reconhece a necessidade de uma composição, embora não abra mão de sua principal reivindicação: o reconhecimento de que continua sendo o proprietário das ações em disputa.
A proposta, portanto, não representa uma desistência das ações judiciais nem uma aceitação da atual estrutura societária. Trata-se de uma tentativa de combinar a pressão jurídica com uma iniciativa de reaproximação.
Ainda não há, nas informações disponíveis, confirmação de que João Paulo, Montenegro ou Gabriel de Alba tenham aceitado a proposta apresentada nesta terça-feira.
Empresário relembra títulos e transformação das categorias de base
Além dos argumentos jurídicos, Textor recorreu ao histórico esportivo de sua passagem pelo Botafogo para justificar sua intenção de retornar.
O empresário afirmou que, em pouco mais de três anos, a estrutura das categorias de base foi transformada em um projeto reconhecido por seus padrões de trabalho, embora ainda precise evoluir. Também destacou a valorização dos jovens jogadores, vistos por ele como ativos financeiros importantes para o futuro da SAF.
Textor mencionou ainda os títulos conquistados durante sua gestão, apresentados como resultados que antes eram considerados difíceis de alcançar sob a administração do clube social.
A referência mais forte é à temporada de 2024, quando o Botafogo conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. A campanha consolidou um dos períodos mais marcantes da história recente alvinegra e elevou a expectativa da torcida sobre a capacidade de o clube competir novamente em alto nível.
Na avaliação de Textor, o Botafogo construiu uma estrutura esportiva capaz de disputar títulos, mas a divisão entre os responsáveis pelo projeto teria prejudicado a continuidade desse trabalho.
O empresário procurou separar os problemas institucionais do desempenho dos profissionais que estão diariamente no clube. Em sua declaração, defendeu os jogadores, o treinador e os funcionários, atribuindo a dificuldade de alcançar novos resultados à falta de unidade entre as lideranças.
Essa interpretação é parte da visão apresentada pelo próprio Textor e não deve ser confundida com uma conclusão comprovada sobre as causas dos resultados esportivos. Ainda assim, ela demonstra como o empresário tenta associar sua reivindicação de retorno à promessa de recuperar a competitividade que marcou o Botafogo em 2024.
“Campeonatos são feitos de amor”: apelo à torcida alvinegra
O tom da declaração mudou ao longo do texto, passando da contestação jurídica para um apelo emocional aos torcedores.
Textor evocou a conquista continental de 30 de novembro de 2024, quando o Botafogo venceu a Libertadores em Buenos Aires, e pediu que os alvinegros não percam a confiança na possibilidade de repetir aquele sentimento.
O empresário afirmou que a divisão interna afastou o clube de suas maiores ambições e defendeu que o futuro seja construído de maneira conjunta.
Em uma das passagens centrais de sua manifestação, resumiu a mensagem com a ideia de que os títulos são construídos com amor, e não com divisão ou ódio.
Também convocou os torcedores a manifestarem suas opiniões e a cobrarem uma solução para o conflito. A estratégia coloca a torcida no centro da disputa de narrativa: de um lado, Textor procura apresentar seu retorno como um caminho para recuperar o projeto esportivo; de outro, o clube social avança com uma nova composição acionária e com a perspectiva de entrada de um investidor.
O apelo emocional tem relevância porque o debate sobre a SAF deixou de ser apenas uma questão empresarial. Ele envolve a identidade do clube, a memória das conquistas recentes, a expectativa de novos títulos e a preocupação com a estabilidade do futebol.
Ainda assim, o apoio da torcida, por maior que seja, não substitui os requisitos jurídicos necessários para determinar a titularidade das ações ou a validade das decisões societárias.
O que pode acontecer daqui para frente?
O futuro da SAF do Botafogo depende agora de três frentes principais.
A disputa judicial: Textor pretende obter o reconhecimento, no Brasil, dos direitos que afirma ter garantido nos Estados Unidos e contestar a diluição de sua participação.
A negociação com a GDA Luma: o Botafogo Social passou a concentrar 99,18% das ações, criando condições para avançar na transferência de aproximadamente 90% da SAF ao grupo de Gabriel de Alba.
A possibilidade de reconciliação: a proposta de diálogo de Textor pode abrir espaço para uma composição, mas depende da disposição das demais partes e de uma solução compatível com a situação jurídica da empresa.
A principal questão é saber se a decisão norte-americana terá algum efeito concreto sobre os atos realizados no Brasil e se a atual estrutura societária será mantida enquanto os processos estiverem em andamento.
Também será necessário esclarecer como uma eventual entrada da GDA Luma se relacionará com as reivindicações de Textor. Uma negociação comercial pode oferecer uma saída para o impasse, mas não resolve automaticamente as divergências sobre a propriedade das ações.
Até que haja decisões definitivas ou um acordo entre os envolvidos, o Botafogo continuará diante de uma disputa que combina interesses financeiros, controle empresarial e ambições esportivas.
Textor quer voltar, mas o caminho permanece aberto à disputa
A declaração desta terça-feira representa mais uma tentativa de John Textor de impedir que sua saída do comando da SAF seja tratada como definitiva.
O empresário utiliza a decisão favorável nos Estados Unidos para sustentar sua reivindicação, questiona a diluição da Eagle e tenta aproximar-se das lideranças do clube social e do futuro investidor. Ao mesmo tempo, procura mobilizar a torcida em torno da ideia de que a união institucional é indispensável para recuperar o protagonismo esportivo.
O cenário, entretanto, mudou significativamente. Com 99,18% das ações, o Botafogo Social passou a ocupar uma posição societária muito mais forte, enquanto a Eagle ficou reduzida a 0,82%. A perspectiva de transferência de participação à GDA Luma acrescenta uma nova variável ao conflito.
Veja no Tweet:
I have read narratives claiming that the US court decision will not be respected in Brazil or has no legal effect. The wheels of justice turn at one speed when the Social Club asks for the impossible, but on another timeline for me — a Carioca in my heart, but an outsider in the eyes of Rio justice. The US court recognized my ownership of the shares. I am seeking recognition of that right in Brazil, and annulment of corporate actions I consider unlawful. I expect court decisions in both of my countries to be respected, but I understand the club cannot remain in limbo indefinitely. Meanwhile, I have formally demanded that GDA and Gabriel de Alba cease and desist from interfering with my ownership of SAF Botafogo. I expect a US company, led by a US citizen, to respect a US court judgment. I am willing to work with GDA as a lender or investor for Botafogo's benefit, if Gabriel has a true interest in the club. But I will not allow the club's future to be decided without me. Yes, I had the opportunity to buy the shares wrongfully made available to Eagle Bidco at this shareholders' meeting — but how can I buy something that already belongs to me? The validity of this meeting (made possible by a Rio judge who refused to rule on my injunction to stop it, and after roughly 30 days still hasn't ruled on stopping the obviously corrupt dilution of my shares) is what I am challenging in court. I never wanted this dispute to drag on so long, and Botafogo the football club will be its biggest casualty. My incredibly experienced partners and I have the financial resources, and I continue to offer solutions that would let us move forward together. I repeat: I will put personal differences aside and partner with anyone who truly lives and breathes a passion for our club. In just over three years, we transformed the youth academy into a structure recognized for its high standards, though it must keep improving. The market already values our young players as financial assets. We delivered championships thought impossible under the Social Club's prior rule, and built an expectation that we must win again. The most solid path forward is reconciliation. I have repeatedly invited Gabriel to sit down and talk. I am the owner, but I respect his investment. We should never have allowed ourselves to be divided, and it is never too late to put our differences behind us. The world has followed Brazil's elections. Polarization can fuel hatred and deepen wounds, but every new beginning is also an opportunity. I hope government and opposition can engage in civil dialogue, respecting their differences and seeking what is best for the country. Why can't we do the same for Botafogo? Confident that Brazil will respect the US rulings and soon return the club to me, I invite Gabriel, JP and Carlos to put the club above our personal differences. We are the Glorious and Most Traditional club in Brazil, but no longer the football club of our highest ambitions. Our family fight has pushed our memory of 2024 far away, and our next championship of South America farther away… but I know what's wrong with our team, and I know how to fix it. It has nothing to do with our terrific players, our esteemed coach, or our loyal staff, who fight every day for you — we are not winning because our family is not together. At the precise moment in 2025 when we should have turned toward each other, we turned away. Championships are made of love, not division or hatred — and Botafogo's future must be built together. Some of our greatest fans will laugh at these words; they love our club, but have grown cynical. The rest of you know that love, unconditional support and loyalty were with us in Buenos Aires on November 30, 2024. You know it, you can taste it, and you know it's possible to feel that way again. So, use your voice. Make your feelings known. You — we — are ready to bring our family back together. It's time for Botafogo again.
— John Textor (@Textor44) October 27, 2026
Leia abaixo a posição de Textor:
“Li narrativas que afirmam que a decisão judicial dos EUA não será respeitada no Brasil ou não tem efeito legal. As engrenagens da justiça giram em um ritmo quando o Clube Social pede o impossível, mas em outra linha do tempo para mim — um carioca no coração, mas um forasteiro aos olhos da justiça do Rio.
O tribunal dos EUA reconheceu minha propriedade das ações. Estou buscando o reconhecimento desse direito no Brasil, e a anulação de ações corporativas que considero ilícitas. Espero que as decisões judiciais em ambos os meus países sejam respeitadas, mas entendo que o clube não pode permanecer em limbo indefinidamente.
Enquanto isso, exigi formalmente que a GDA e Gabriel de Alba cessem e desistam de interferir na minha propriedade da SAF Botafogo. Espero que uma empresa dos EUA, liderada por um cidadão americano, respeite uma decisão judicial dos EUA.
Estou disposto a trabalhar com a GDA como credor ou investidor em benefício do Botafogo, se Gabriel tiver um interesse genuíno no clube. Mas não permitirei que o futuro do clube seja decidido sem mim.
Sim, tive a oportunidade de comprar as ações disponibilizadas indevidamente para a Eagle Bidco nesta assembleia de acionistas — mas como posso comprar algo que já me pertence? A validade desta assembleia (tornada possível por um juiz do Rio que se recusou a decidir sobre minha liminar para pará-la, e após cerca de 30 dias ainda não decidiu sobre a parada da diluição obviamente corrupta das minhas ações) é o que estou contestando em juízo.
Nunca quis que essa disputa se arrastasse por tanto tempo, e o Botafogo, o clube de futebol, será sua maior vítima.
Meus parceiros incrivelmente experientes e eu temos os recursos financeiros, e continuo oferecendo soluções que nos permitiriam avançar juntos. Repito: deixarei de lado diferenças pessoais e me unirei a qualquer um que verdadeiramente viva e respire uma paixão pelo nosso clube.
Em pouco mais de três anos, transformamos a academia de base em uma estrutura reconhecida por seus altos padrões, embora ela deva continuar melhorando. O mercado já valoriza nossos jovens jogadores como ativos financeiros. Entregamos campeonatos considerados impossíveis sob a administração anterior do Clube Social, e construímos uma expectativa de que devemos vencer novamente.
O caminho mais sólido para frente é a reconciliação. Convidei Gabriel repetidamente para sentar e conversar. Eu sou o proprietário, mas respeito seu investimento. Nunca deveríamos ter permitido que nos dividíssemos, e nunca é tarde para deixar nossas diferenças para trás.
O mundo acompanhou as eleições do Brasil. A polarização pode alimentar o ódio e aprofundar feridas, mas todo novo começo também é uma oportunidade. Espero que governo e oposição possam se engajar em um diálogo civilizado, respeitando suas diferenças e buscando o que é melhor para o país. Por que não podemos fazer o mesmo pelo Botafogo?
Confiante de que o Brasil respeitará as decisões dos EUA e em breve devolverá o clube a mim, convido Gabriel, JP e Carlos a colocarem o clube acima de nossas diferenças pessoais.
Somos o clube Glorioso e Mais Tradicional do Brasil, mas não mais o clube de futebol de nossas ambições mais altas. Nossa briga familiar empurrou nossa memória de 2024 para longe, e nosso próximo campeonato sul-americano ainda mais longe… mas eu sei o que há de errado com nosso time, e sei como consertar. Isso não tem nada a ver com nossos jogadores fantásticos, nosso técnico estimado ou nossa equipe leal, que luta todos os dias por vocês — não estamos vencendo porque nossa família não está unida. No momento preciso de 2025, quando deveríamos ter nos voltado uns para os outros, nos afastamos.
Campeonatos são feitos de amor, não de divisão ou ódio — e o futuro do Botafogo deve ser construído juntos. Alguns de nossos maiores torcedores vão rir dessas palavras; eles amam nosso clube, mas se tornaram cínicos. O resto de vocês sabe que o amor, o apoio incondicional e a lealdade estavam conosco em Buenos Aires em 30 de novembro de 2024. Vocês sabem disso, podem senti-lo, e sabem que é possível sentir isso novamente.
Então, usem sua voz. Deixem seus sentimentos conhecidos. Vocês — nós — estamos prontos para trazer nossa família de volta a se unir. É hora do Botafogo novamente.”
