Nomeada presidente do Olympique Lyonnais em 30 de junho de 2025, a empresária Sul-Corena-estadunidense Michele Kang rapidamente impôs uma nova governança e normalizou as relações do clube com o mundo exterior.
Foi isso que impediu o time da cidade de Lyon de ser rebaixado para a Ligue 2 no verão europeu passado. Michele Kang, que se juntou a John Textor na aquisição do Olympique Lyonnais no segundo semestre de 2022, rapidamente fez a diferença com ele quando o sucedeu à frente do OL em 30 de junho.
Uma governança mais próxima e estruturada: Ao contrário de seu antecessor, John Textor, descrito como “ficava muito longe, e que tomava decisões pouco acertadas”, Kang aparece como presente, muitas vezes em Lyon, com reuniões regulares e agenda organizada.
Michael Gerlinger diretor esportivo de sucesso no Bayern de Munique, e recentemente diretor-geral da Eagle Football Holdings, deixou o cargo e se tornou CEO, nesta nova parceria com Michele Kang.
Foco financeiro claro: A prioridade declarada é “a sustentabilidade financeira do projeto esportivo do OL”.
Melhores relações institucionais e com os patrocinadores
Kang fortaleceu o vínculo com a economia local, grandes marcas da região, fornecedores, além de restaurar a confiança dos patrocinadores, o que seria essencial para o clube recuperar fôlego à médio e longo prazo.
Ambiente externo mais pacificado: Por exemplo, as relações com o rival Paris Saint‑Germain (PSG) voltaram a ter um clima de menor tensão e de melhor cooperação, ao invés de confrontos públicos. Como John Textor fez inúmeras vezes, citando até o Botafogo certa vez, dizendo que o PSG era um pequeno time de Paris, além das polêmicas com Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, e um dos donos do clube Parisiense, junto do maior acionista Tamim bin Hamad al-Thani, que também é um emir Catar.
O clube enfrentou uma ameaça de relegação administrativa à Ligue 2, evitada graças à atuação de Kang.
A situação financeira herdada de Textor exige rigor
Michele Kang e sua empresa YMK Holdings concederam garantias substanciais (por exemplo, um empréstimo de 87 milhões de euros a 8% de taxa) para assegurar a estabilidade.
Há prazos decisivos à frente: apresentação de contas, avaliações por parte da comissão reguladora francesa (DNCG), disputas judiciais e regulamentares decorrentes da antiga estrutura societária.
Por que “anti-Textor”?
A expressão “l’anti-Textor” (o anti-Textor) usada no título da reportagem sugere que Michele Kang representa um contraponto direto ao estilo de John Textor: menos espetáculo, mais estrutura; menos improviso, mais estabilidade; menos confronto público, mais diplomacia institucional.
Potencial impacto
Se o trabalho de Kang se mantiver no curso, o OL poderá:
Recuperar competitividade — tanto no futebol masculino quanto feminino — com bases mais sólidas.
Recolocar-se como interlocutor forte no futebol francês e europeu, graças à estabilidade institucional e financeira.
Tornar-se um modelo de transição bem-sucedida de governança em clubes com histórico de crise, num ambiente cada vez mais exigente.
A chegada de Michele Kang ao comando do Olympique Lyonnais marca mais do que uma simples troca de presidente: é uma virada estratégica que prioriza governança, responsabilidade financeira e relações institucionais. Os próximos meses serão decisivos para comprovar se essa nova abordagem produzirá os resultados esperados — tanto no gramado quanto fora dele.
As comparações entre a gestão de John Textor à Frente do Lyon e Michele Kang
John Textor assumiu como o principal acionista/gestor do OL (via Eagle Football Holdings) com a ambição de tornar o clube uma peça central da rede multiclubes de forma mundial.
Michele Kang vinha atuando no clube — especialmente no setor feminino — e em 30 de junho de 2025 foi nomeada presidente do OL.
Estratégia de investimento e modelo de negócio
Sob Textor: o modelo parecia baseado em elevado gasto inicial, ambição de crescimento rápido internacional, múltiplos clubes (“multi-club”) e grande dependência de vendas de jogadores para equilibrar as contas. Exemplos: ele declarou que “desde dezembro de 2022… investimos mais de 293 milhões de euros no clube” entre operações de aquisição e suporte.
“Bastava olhar as contas... a empresa não estava ganhando dinheiro regularmente... Textor... um jogador de pôquer com um amor desmedido pelo risco.”
Sob Kang: há um foco maior em sustentabilidade, governança estruturada, e fortalecimento institucional, além de especial ênfase no futebol feminino (ela vinha trabalhando neste âmbito). Por exemplo, no feminino, ela promoveu rebranding do time feminino como OL Lyonnes, com identidade própria.
Textor apostou no “crescer rápido” com alto risco; Kang parece apostar em crescimento “baseado em estrutura” com menor risco.
Governança e presença institucional
Textor era visto como mais “externo”, impulsivo e com um estilo de gestão de risco elevado no comando do OL.
Mas, enfrentou forte problema de credibilidade financeira e risco de rebaixamento administrativo.
Kang aparece como mais próxima do clube, com foco em “normalizar” relações, em consolidar. Por exemplo, ela será “ativa” no apoio à diretoria executiva do clube e à gestão junto à DNCG.
Textor trouxe mudança grande e energética, mas com instabilidade; Kang busca estabilidade e consolidação.
Futebol masculino vs feminino
Sob Textor: a gestão incluía tanto o time masculino quanto o feminino como parte do mesmo grande projeto global. A ênfase era na performance geral, vendas de atletas, retorno financeiro e performance europeia do time masculino.
Exemplos: ele afirmou querer que o OL voltasse à Champions League.
Para literatura: o time masculino teve dificuldades financeiras, risco de rebaixamento por falhas no modelo financeiro.
Sob Kang: ela tinha papel forte no futebol feminino — aquisição majoritária da equipe feminina (OL Lyonnes) em 2023.
Ela entende que o futebol feminino “não é uma caridade” mas um negócio real.
Há portanto uma diferenciação de visão: para o feminino, identidade própria, instalações próprias, foco de investimento direto; para o masculino, sob sua presidência, o foco será o equilíbrio e recuperação institucional.
Textor focou mais no masculino “grande projeto Mundial”; Kang reforça o feminino com autonomia e dá ao masculino estrutura para recuperação.
Situação financeira e resultados institucionais
Sob Textor: O OL enfrentou sérios problemas financeiros — a DNCG chegou a anunciar um rebaixamento administrativo ao Lyon à Ligue 2.
Ele mesmo admitiu que as “demi-vérités” (meias-verdades) estavam sendo contadas e que o modelo apresentava risco.
Sob Kang: ao assumir, entra com a missão de estabilizar financeiramente, de liderar o clube no recurso da DNCG.
O clube conseguiu, manter-se na Ligue 1 após apelação.
Textor tentou crescimento agressivo e pagou o preço; Kang está na fase “recuperação institucional” e financeira.
Impactos práticos no clube
Para o masculino: o OL precisa recuperar estabilidade (finanças, licenças, classificação europeia) — a gestão Kang dá sinais de “menos espetáculo imediato, mais base para crescer”.
Para o feminino: já sob Kang o time feminino se especializou, ganhou identidade própria, investimentos dedicados e espera-se que se beneficie de uma estrutura mais alinhada ao seu perfil.
Para a marca e torcida: a mudança de liderança pode melhorar a confiança dos patrocinadores, dos institutos reguladores e dos parceiros locais — algo que vinha sendo citado como problema sob a gestão anterior.
A troca de Textor por Kang representa uma viragem de paradigma no OL.
Sob Textor: uma era de risco elevado, ambição grande, mas resultados mistos, com alerta financeiro.
Sob Kang: inicia-se uma era de “ajuste fino”, onde o foco recai sobre governança, sustentabilidade, identidade (especialmente no feminino) e recuperação institucional.
Se Kang tiver mais sucesso, o OL poderá retomar o caminho de excelência — mas o desafio é real e exigirá paciência, clareza estratégica e disciplina financeira.
Com informações L´Équipe
