John Textor aciona Eagle/Cork Gully na Justiça do RJ alegando ser o dono das ações da SAF Botafogo, por causa de acordo feito em 2022; buscando impedir venda para novos investidores


John Textor no tapete vermelho do Theatre Du Cathelet durante a premiação da Bola de Ouro em 22/09/2025 em Paris, França - Foto: Icon Sport


O programador e empresário Norte-americano, John Textor afirma que não recebeu pagamento previsto em contrato de 2022 e tenta impedir eventual venda da SAF a novos investidores. 


Um novo capítulo da disputa envolvendo o controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo ganhou força nestas últimas horas. John Charles Textor protocolou, na última quinta-feira (28/5), uma petição na Justiça do Rio de Janeiro alegando que continua sendo o proprietário de 90% das ações da SAF alvinegra.


Segundo informações divulgadas pelo GE, Textor sustenta que a Eagle Bidco não concluiu todas as obrigações previstas no acordo que transferiria suas ações para a estrutura societária da empresa. Dessa forma, de acordo com a interpretação apresentada por seus advogados, as ações jamais teriam sido efetivamente transferidas, permanecendo sob sua titularidade.


A ação judicial surge em meio às negociações em andamento para uma possível venda da SAF do Botafogo a um novo investidor, tratativas que envolvem representantes do clube associativo e a estrutura atualmente ligada à Eagle Bidco e ao fundo de investimento da Ares Management.


Disputa gira em torno de pagamento de R$ 150,3 milhões


O principal argumento apresentado pela defesa de Textor está relacionado ao não pagamento de aproximadamente R$ 150,3 milhões, valor que, segundo o empresário, constituía contrapartida indispensável para a transferência das ações.


De acordo com os documentos citados pelo GE, o acordo de compra e venda da SAF do Botafogo, firmado em novembro de 2022, previa que esse montante deveria ser pago por outros acionistas da Eagle. O empresário alega que a obrigação financeira jamais foi cumprida.


Com base nesse entendimento, os advogados sustentam que a Eagle Bidco estaria inadimplente e, portanto, não poderia negociar ou alienar ativos que, juridicamente, ainda pertenceriam a Textor.


Na petição apresentada à Justiça, a defesa afirma ter tomado conhecimento de movimentações relacionadas à venda da SAF mesmo sem que as condições contratuais apontadas pelo empresário tenham sido cumpridas.



Pedido cautelar tenta barrar eventual venda


Além do reconhecimento de seus direitos sobre as ações, Textor solicitou à Justiça a concessão de medida cautelar para registrar formalmente seu protesto contra qualquer tentativa de alienação dos ativos que considera de sua propriedade.


A estratégia jurídica busca criar obstáculos a uma eventual conclusão das negociações atualmente em curso para a venda da SAF do Botafogo.


Paralelamente, os representantes legais do empresário encaminharam uma comunicação formal à Cork Gully LLP, empresa que atua como administradora judicial da Eagle Holdings Bidco.


Na correspondência, os advogados indicam que, caso a Justiça reconheça os argumentos apresentados por Textor, um dos desdobramentos possíveis seria a rescisão do Acordo de Compra e Venda (SPA – Share Purchase Agreement) - Compartilhamento da compra de ações na tradução livre, firmado em 2022. Em cenário ainda mais extremo, o contrato poderia até mesmo ser declarado nulo.


Viagem ao Rio e reuniões com dirigentes


Textor tem viagem programada ao Rio de Janeiro neste fim de semana para reuniões com representantes do clube associativo do Botafogo.


Segundo pessoas próximas ao caso, os encontros terão como foco a discussão do atual impasse societário e seus possíveis impactos para o futuro da SAF.


O clube associativo também teria sido formalmente comunicado sobre a existência da ação judicial.



Administração judicial da Eagle muda cenário


A disputa ocorre em um momento de reorganização da Eagle Bidco. A companhia encontra-se sob administração judicial conduzida pela Cork Gully LLP, responsável por supervisionar os interesses dos credores e a condução dos ativos ligados ao grupo desde 27 de Março de 2026.


Esse contexto acrescenta novas camadas de complexidade ao caso, especialmente diante das negociações para a entrada de um novo investidor na operação do Botafogo.


Especialistas consultados pelo mercado avaliam que qualquer questionamento sobre a titularidade das ações pode impactar diretamente o cronograma e a segurança jurídica de uma eventual transação envolvendo a SAF.


Alegações envolvendo financiamentos e recuperação judicial


Antes da divulgação da ação judicial, informações publicadas por Ancelmo Gois de ¨O Globo¨ apontaram que Textor teria recorrido a operações de financiamento junto ao fundo Montegra Capital Resources, sediado em Pembroke Pines, na Flórida, e não pagou. 


Segundo a publicação, haveria questionamentos relacionados à contabilização desses valores em documentos financeiros ligados à SAF do Botafogo. As alegações teriam surgido durante análises associadas ao processo de recuperação judicial envolvendo estruturas empresariais vinculadas ao grupo.


Até o momento, não há decisão judicial conhecida que confirme essas alegações, nem manifestação pública definitiva das partes envolvidas sobre o tema.


Bastidores indicam movimentações políticas e empresariais


Ainda de acordo com apuração de nós da Gazeta Botafogo, antes de ingressar com a ação judicial contra a Eagle Bidco, Textor teria mantido contatos com representantes da 777 Partners, incluindo conversas atribuídas com o cofundador Josh Wander, pois a 777 vetou Marcos Lamacchia no momento de comprar a SAF do Vasco.


Tais conversas tiveram o objetivo de buscar apoio para dificultar uma eventual venda da SAF Botafogo a terceiros. Interlocutores consultados confirmam que a Ares Management e a Cork Gully teriam adotado posição contrária às pretensões de John Textor de tentar atrapalhar o futuro da SAF Botafogo com novos investidores, visando atrasar as negociações.


Conforme Textor ainda não foi afastado completamente, apenas foi de modo temporário, ele tentar a sorte de voltar novamente, porém o Tribunal Arbitral da FGV poderá agir, se necessário. Jordan Fiksenbaum e Kevin Weston continuam ainda como membros do conselho da Eagle BidCo, o que gera conflitos de interesses, a favor de John Textor. 


Impactos para o Botafogo


Enquanto a disputa societária se intensifica nos bastidores, o Botafogo tenta manter o foco nas competições esportivas.


A indefinição sobre o controle acionário da SAF, entretanto, tem potencial para influenciar decisões estratégicas relacionadas a investimentos, governança corporativa e planejamento financeiro do clube.


Caso a Justiça acolha os argumentos apresentados por Textor, o cenário de negociação da SAF poderá sofrer alterações significativas. Por outro lado, se prevalecer o entendimento da Eagle Bidco e de seus administradores judiciais, o processo de venda para novos investidores poderá seguir normalmente.


Fontes ligadas às negociações também afirmam que a GDA LUMA possui bom relacionamento com a Ares Management, a Eagle Bidco e a Cork Gully LLP, administradora judicial da Eagle. Nos bastidores, essa interlocução é vista como um fator favorável à continuidade das tratativas envolvendo o futuro controle da SAF do Botafogo, em contraposição às recentes movimentações jurídicas promovidas por John Textor. Não há, contudo, posicionamento oficial das partes sobre essa avaliação.


O caso deve evoluir nos próximos dias com a manifestação das partes envolvidas e a análise dos pedidos cautelares apresentados à Justiça do Rio de Janeiro.


Até que haja decisão judicial definitiva, a disputa permanece aberta e representa um dos episódios mais relevantes da história recente da SAF do Botafogo.

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