O clássico Cruz & Fogo será o primeiro grande teste da nova reconfiguração. Depois de 18 dias de preparação, não há mais espaço para Tite dar explicações: o Botafogo precisa voltar a vencer — e precisa começar pelo Vasco
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O contestado Tite em treino do Botafogo no Espaço CT Lonier em 18 de Setembro de 2026 - Foto: Vítor Silva/Botafogo |
O Botafogo chegou ao ponto em que o discurso de não ter tempo, já não basta mais.
Adenor Leonardo Bacchi, o Tite recebeu exatamente aquilo que um treinador recém-chegado normalmente pede: tempo. Depois da derrota por 2 a 0 para o Mirassol, em sua estreia no comando alvinegro, o calendário abriu uma janela de aproximadamente 18 dias sem partidas, justamente por causa da Data FIFA. O próprio clube e a imprensa esportiva apontaram esse período como fundamental para que o treinador conhecesse o elenco, corrigisse problemas e começasse a implementar suas ideias.
Portanto, quando o Botafogo entrar em campo no Estádio Nilton Santos, no Clássico Cruz & Fogo contra o Vasco, em 7 de outubro às 20h30 com transmissão ao vivo do Amazon Prime Video, a conversa precisa ser outra.
Não há mais desculpas.
Não vale falar em falta de tempo para treinar. Não vale colocar tudo na conta da adaptação. Não vale repetir que o elenco está chegando agora. Não vale transformar cada erro em consequência inevitável de uma reconstrução.
O Botafogo precisa de resultados agora. Se a diretoria atual, apostou na experiência de Adenor Leonardo Bacchi, o Tite ele terá que mostrar serviço.
O clássico Cruz & Fogo não pode ser tratado como apenas mais uma rodada do Campeonato Brasileiro. Para um clube que pretende terminar 2026 com alguma dignidade esportiva, essa partida representa o começo de uma obrigação: vencer, vencer novamente e continuar vencendo. A parte do hino do Botafogo, não podes perder, perder pra ninguém... tem que dar lugar ao: Lutando sempre pra vencer... para conquistar a vitória.
O Botafogo ocupa atualmente a parte intermediária da tabela e terá pela frente uma sequência decisiva na reta final do campeonato. A equipe precisa transformar jogos em pontos, e pontos em uma recuperação que ainda permita sonhar com uma classificação continental em 2027.
Se o objetivo for uma vaga na Copa Sul-Americana ou, por que não, uma aproximação da zona de pré-Libertadores, não existe fórmula mágica.
É preciso somar três pontos em sequência.
E isso começa contra o Vasco.
A defesa precisa mudar
Tite tem uma decisão importante para tomar: Arthur Chaves merece ser titular.
O zagueiro foi elogiado pelo próprio treinador antes mesmo da pausa, depois de uma atuação contra o Grêmio na qual mostrou velocidade e capacidade de enfrentamento. Ainda assim, na estreia de Tite contra o Mirassol, Arthur ficou no banco, enquanto Lucas Monzón começou ao lado de Ferraresi. O resultado foi uma defesa que sofreu dois gols no primeiro tempo e não conseguiu reagir.
Não significa transformar Lucas Monzón em vilão. Significa reconhecer que o treinador precisa encontrar a dupla que ofereça maior segurança.
E esse é justamente um dos setores mais problemáticos do Botafogo: a equipe já sofreu 45 gols no Campeonato Brasileiro, número que coloca a defesa entre as piores da competição.
Arthur Chaves está treinando bem, se apresentou desempenho convincente quando teve oportunidade contra o Grêmio e se existe uma necessidade urgente de aumentar a consistência defensiva, então é absolutamente legítimo cobrar sua titularidade.
O mesmo raciocínio vale para o gol.
Warleson não pode ser esquecido
Aqui, os números ajudam a sustentar a cobrança.
No dia 26 de julho, na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro no Mineirão, Warleson foi o melhor jogador do Botafogo segundo a avaliação do ge, com nota 7,5, fazendo defesas importantes durante a pressão do adversário.
Mais do que isso: após aquela partida, o goleiro passou a viver uma sequência de duas partidas sem sofrer gols no Brasileirão.
Então a pergunta é simples:
por que não dar sequência a quem já demonstrou que pode entregar segurança?
Gabriel Batista foi titular na estreia de Tite contra o Mirassol, mas, diante da necessidade de mudanças, Warleson precisa estar entre as alternativas reais para começar o clássico.
Não se trata de dizer que Warleson é a solução definitiva. Trata-se de dar oportunidade a quem já mostrou serviço. Enquanto Gabriel Batista acumula vários frangos.
Montoro e Ziyech: o talento precisa jogar junto
Existe outro ponto que pode mudar a cara desse Botafogo: Álvaro Montoro e Hakim Ziyech juntos de titular.
O marroquino chegou cercado de expectativa e o próprio Tite indicou que pode utilizá-lo não apenas aberto pelo lado, mas também por dentro. A criatividade é justamente uma das áreas que o treinador identificou como necessárias para melhorar a equipe.
Montoro também é um jogador que precisa participar mais do jogo.
Separar os dois quando existe a possibilidade de construir uma equipe com mais talento, passe e capacidade de criação seria desperdiçar uma das poucas combinações capazes de mudar o nível técnico do meio para frente.
O Botafogo não precisa necessariamente jogar bonito.
Precisa jogar melhor.
E, sobretudo, precisa criar mais e transformar as oportunidades em gols.
Chega de escolher quem vai fazer o gol. Alguém precisa fazê-lo
Esse talvez seja o maior problema ofensivo.
O Botafogo pode colocar Júnior Santos. Pode colocar Arthur Cabral. Pode apostar em Kadir Barría. Pode utilizar Lucas Emanuel. Pode dar oportunidade a Danilo Pereira.
Mas existe uma condição inegociável:
alguém precisa colocar a bola dentro da rede.
Contra o Mirassol, o Botafogo teve dificuldade para transformar posse e algumas construções ofensivas em ameaça real. A equipe terminou derrotada por 2 a 0 e saiu de campo sem marcar.
Não adianta ter Ziyech.
Não adianta ter Montoro.
Não adianta ter Alex Telles.
Não adianta reorganizar a defesa.
Se o centroavante não fizer gol, o Botafogo continuará desperdiçando pontos.
Tite precisa descobrir rapidamente quem é o seu homem-gol — ou, no mínimo, qual combinação ofensiva oferece maior capacidade de marcar.
O Botafogo não precisa de discurso. Precisa de uma reação
É aqui que a responsabilidade de Tite começa a pesar.
A derrota para o Mirassol pode ser explicada pela estreia, pelo pouco tempo de treinamento e pela quantidade de jogadores recém-chegados. O próprio cenário da equipe apontava para um período de adaptação.
Mas essa justificativa perde força depois de quase três semanas de preparação.
O clássico contra o Vasco precisa mostrar evolução.
Precisa mostrar intensidade.
Precisa mostrar organização.
Precisa mostrar coragem.
E precisa mostrar, acima de tudo, vontade de vencer.
Porque o Botafogo não pode terminar 2026 simplesmente administrando uma temporada que saiu dos trilhos.
Ainda existe uma temporada para salvar.
Ainda existem pontos para conquistar.
Ainda existe a possibilidade de uma classificação continental.
Mas isso exigirá uma sequência de vitórias que não combina com um time conformado.
Contra o Vasco, começa a cobrança de verdade
Tite não precisa fazer milagres.
Precisa fazer o básico muito bem feito.
Escolher os jogadores que estão em melhor momento. Corrigir a defesa. Encontrar segurança no gol. Colocar Montoro e Ziyech para jogar juntos. Encontrar um atacante capaz de marcar. E, principalmente, fazer o Botafogo competir como um time que ainda tem objetivos.
Arthur Chaves precisa ter sua oportunidade. Warleson merece ser considerado para a titularidade. Montoro e Ziyech precisam dividir o campo. E alguém precisa assumir a responsabilidade de fazer os gols.
Depois de 18 dias de trabalho, o torcedor tem o direito de exigir respostas.
O Vasco é o adversário.
O Estádio Nilton Santos será o palco.
E os três pontos são obrigação.
Porque, a partir de agora, não é mais sobre explicar por que o Botafogo ainda não engrenou. É sobre provar que ainda existe capacidade para terminar a temporada de pé.
E, se o sonho é Sul-Americana ou pré-Libertadores em 2027, o Botafogo já sabe o caminho.
Vencer o Vasco. Depois vencer de novo. E continuar vencendo. Até conseguir a soma de pontos necessários para concluir o objetivo da temporada, não ser rebaixado, e jogar uma das competições continentais da Conmebol em 2027.
