John Textor em coletiva de imprensa no Lyon em 21 de Junho de 2022 - Foto: (A. Martin/L'Équipe)
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, a Eagle Football Holdings BidCo (EFH) — grupo de gestão multiclubes que detém a SAF do Botafogo, RWD Brussels e Lyon; confirmou oficialmente o afastamento de John Textor da direção executiva da Eagle Bidco, uma das principais subsidiárias que compõem a estrutura de comando do grupo. A decisão foi tomada no dia 27 de janeiro de 2026, mas só foi tornada pública nesta terça-feira (26/2), após documentação oficial da própria holding confirmando a destituição do empresário norte-americano do cargo de diretor da Eagle Bidco.
Apesar disso, John Charles Textor continua no comando direto da SAF do Botafogo, amparado por uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, que suspende os efeitos da mudança na organização administrativa do clube carioca enquanto o caso é analisado no Brasil.
A destituição de John Textor na Companies House do Reino Unido:
Por que Textor foi afastado?
A crise na Eagle tem raízes em disputas internas pelo controle da empresa e, especialmente, em pressões financeiras vindas de credores internacionais — em particular o fundo de investimentos Ares Management Corporation, que emprestou, em 2022, cerca de US$ 450 milhões (R$2,2 Bilhões) para a compra do Olympique Lyonnais. Parte dessa dívida já foi parcialmente quitada, quando John Textor vendeu as ações que tinha do Crystal Palace quando era acionista minoritário, para Woody Johnson. Mas ainda há US$250 milhões de dólares (R$1,2 Bilhão de Reais) que estão em aberto, que a Ares visa recuperar. Além disso, ainda tem a Iconic Sports, que também ajudou John Textor, emprestando dinheiro, para concluir a compra do Lyon em 2022, contando os valores emprestados por Ares e Iconic, Textor gastou R$3,2 Bilhões para poder ter compra do o Olympique Lyonnais. A Iconic Sports visa receber US$97 Milhões de Dólares (R$508 Milhões De Reais) após o julgamento completo na justiça comercial britânica ocorrer, ainda não há uma data definida, porém depois da Iconic vencer Textor na corte de Apelação em 21/01/2026, tende deste julgamento completo ocorrer entre 2 meses à 8 meses, contando desde 21 de Janeiro. O julgamento completo para ocorrer é necessário haver várias testemunhas além de mais de 2 juízes. Outro fato a ser observado a Ares tomou essa decisão de afastar John Textor da Eagle Holdings BidCo, 6 dias depois da Iconic vencer a primeira etapa, na corte de apelação, Textor tentou isto para evitar o julgamento completo que ocorrerá futuramente.
O afastamento de Textor decorre da tentativa do programador e empresário de retomar o controle da Eagle pouco antes de uma assembleia geral feita por Michele Kang, incluindo manobras para destituir diretores independentes da própria empresa, ações que foram contestadas e rebatidas pelos demais acionistas e pelo fundo credor.
O que John Textor alegou em seu site oficial:
John Textor emitiu um comunicado oficial em seu site nesta terça-feira (24/2) afirmando que a Ares agiu sem fundamentos legais para destituí-lo do comando da Eagle Football Holdings Bidco e garantindo que, dois dias depois, se reconduziu ao posto.
No documento, Textor justificou as demissões de Hemen Tseayo e Stephen Welch e citou a descoberta de um “acordo paralelo” em meados de janeiro, envolvendo Michele Kang e Ares, afirmando que tal acordo violava as leis francesas e afetava a gestão do Lyon.
O empresário norte-americano diz ainda que o Botafogo “foi deixado à deriva“, com muito dinheiro a receber, sob a direção de um “conselho secreto” na França.
Textor afirmou que a disputa com a Ares pelo controle da Eagle Bidco vai continuar, mas que não há disputas em relação ao controle da Eagle Midco e que ele segue como acionista majoritário da Eagle Football Holdings.
Leia o comunicado abaixo:
A cronologia abaixo visa auxiliar o público a compreender os registros conflitantes de documentos na Companies House, no Reino Unido. A Companies House é um sistema público de acesso aberto, na Inglaterra, que pode ser afetado e manipulado por interesses concorrentes.
No caso da Eagle Football, os registros da Companies House agora mostram os efeitos de diferentes pontos de vista sobre a governança da empresa. Como acionista majoritário da Eagle Football Holdings Limited e único diretor da Eagle Football Holdings Midco Limited, que por sua vez é a única acionista da Eagle Football Holdings Bidco Limited, o Sr. Textor se opõe ao arquivamento de documentos frívolos por credores terceirizados na Companies House, que buscam restringir os direitos dos acionistas das empresas do Grupo Eagle, conforme claramente estabelecido pelos documentos constitutivos dessas entidades, os Estatutos Sociais (que podem ser consultados na Companies House).
25 de janeiro de 2026: rescisão dos diretores da Eagle Bidco por Textor
– No domingo, às 21h15 (horário do leste dos EUA), como único diretor da única acionista da Eagle Bidco, optei por destituir dois membros do conselho de administração altamente qualificados e profissionais, a fim de proteger os interesses de todas as partes interessadas da Eagle Football. Esses senhores, Hemen Tseayo e Stephen Welch, foram anteriormente solicitados a intermediar pelo menos dois interesses conflitantes (os acionistas e o credor) e a ajudar a conduzir uma organização multiclubes atraente e viável através de uma disputa interna que buscava minar nosso sucesso histórico e sem precedentes em transformar clubes insolventes em campeões históricos e reconhecidos globalmente. (Link para o Aviso de Destituição)
– Infelizmente, a descoberta, em meados de janeiro, de um “Acordo Paralelo” secreto e ativamente ocultado (entre Michele Kang, Ares e um único diretor da Eagle Bidco) revelou mudanças na governança corporativa e no controle do Olympique Lyonnais que não só eram não autorizadas e não divulgadas, como também constituíam claras violações da lei francesa. Este Acordo Paralelo extremamente detalhado criou um conselho de administração alternativo na EFG/OL que trabalharia em estreita colaboração com a Sra. Kang para governar a EFG/OL, sem o envolvimento de sua proprietária de 93%, a Eagle Football Holdings, e sem o conhecimento do conselho de administração oficial da EFG/OL. Além disso, este “conselho paralelo” e a efetiva mudança de controle não foram divulgados aos acionistas minoritários, como seria exigido de qualquer empresa listada em bolsa de valores sob a lei francesa. (Link para a Correspondência sobre o Acordo Paralelo ) e (Link para a Notificação da AMF)
- Em resposta à descoberta de um acordo paralelo ilegal, tomei medidas para consolidar o controle do conselho de administração da Eagle Bidco e abordar os dois desafios mais sérios para nossa organização e nossas comunidades. Portanto, optei por destituir todos os diretores independentes da Eagle Football Holdings Bidco, a fim de solucionar essas questões:
— Em primeiro lugar, é evidente que as demonstrações financeiras publicadas para a EFG contêm erros materiais, baseados em resultados desejados e não nos fatos e circunstâncias das transações históricas. Alguns dos erros dizem respeito a um nível inaceitável de equívocos honestos, enquanto outros resultam de um trabalho de confirmação deficiente por parte dos auditores estatutários da empresa. Infelizmente, também parece que ocorreram erros materiais devido a um forte viés em favor de uma agenda de reestruturação maliciosa que jamais deveria ter sido permitida.
— Em segundo lugar, a descoberta do “Acordo Paralelo”, que foi ativamente ocultado durante vários meses, explica melhor a separação inesperada do OL do bem-sucedido modelo esportivo da Eagle Football, ao qual a Sra. Kang havia jurado lealdade apenas alguns dias antes. O resultado dessa decisão é uma lamentável guerra civil que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e incrivelmente bem-sucedida (em busca de troféus em todos os mercados) em um atoleiro financeiro. O clube financeiramente mais forte do Brasil, que enviou dinheiro e jogadores para o então líder da Liga Europa, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber intragrupo em aberto, sob a direção de um “conselho secreto” na França, o que constitui uma clara violação da lei francesa.
– Minha decisão de remover o Sr. Welch e o Sr. Tseayo, ambos com o aval da Ares, do Conselho de Administração não teve como objetivo encerrar nossa relação profissional. Pelo contrário, era necessário fortalecer essa relação e a própria empresa, visto que eu havia proposto nomear cada um deles para o Conselho de Administração da EFG/OL a fim de solucionar, pelo menos, as duas crises mencionadas. Também propus a inclusão de outro profissional com o aval da Ares, o diretor financeiro da Eagle Bidco, Sr. Justin Le Fort, além de outro indivíduo com sólida experiência financeira, que já havia atuado no Conselho da EFG/OL.
– Contrariando as notícias sensacionalistas de uma tentativa de golpe, meu voto teria removido um pequeno número de diretores que provavelmente se oporiam ao acionista majoritário (90%) e nomeado: Sr. Stephen Welch, Sr. Hemen Tseayo, Sr. Justin Le Ford (todos com o apoio da Ares para importantes cargos de liderança), além de um diretor da Eagle que já atuou bem no conselho (e propôs investir um capital significativo no clube).
A destituição desses dois diretores, que agora constam como “demitidos” nos registros da Companies House, foi motivada exclusivamente pela minha necessidade de abordar as duas questões críticas mencionadas acima. A contribuição deles para a Eagle Football foi muito apreciada e lamento sinceramente que os direitos do acionista com 93% das ações da EFG/OL tenham sido ignorados e que não tenhamos conseguido obter a devida representação no conselho da EFG/OL, na assembleia geral, e sua nomeação para o conselho da EFG/OL.
27 de janeiro de 2026: A Ares tenta mudar o Conselho de Administração da Eagle Bidco.
– Em 27 de janeiro de 2026, a Ares enviou correspondência a John Textor e à Companies House alegando que tinha autoridade para destituir o Sr. Textor do cargo de diretor da Eagle Bidco e, além disso, alegando que o Sr. Tseayo e o Sr. Welch seriam reconduzidos ao conselho de administração em substituição a John Textor. Esta carta foi enviada à Companies House sem fundamento legal e sem a aprovação dos Srs. Tseayo e Welch. (Link para a resposta de Textor)
- Segundo a legislação do Reino Unido, não é possível nomear diretores sem o consentimento deles, portanto, esta carta não era credível e foi ineficaz.
- A Companies House irá, em algum momento, publicar esta demissão do Sr. Textor, apesar de a Ares ter agido sem fundamento legal para tal.
28 de janeiro de 2026: O Sr. Welch e o Sr. Tseayo contestam os documentos da Ares na Companies House e confirmam suas renúncias.
– Em 28 de janeiro de 2026, o Sr. Stephen Welch enviou correspondência à Companies House, assinada pelo Sr. Tseayo, deixando claro que a Ares não tinha autorização para propor a recondução dos dois ex-diretores ao conselho da Eagle Bidco, demonstrando claramente que a Ares havia feito alegações falsas em correspondência à Companies House. Os dois diretores deixaram claro que não pretendiam retornar ao conselho da Eagle Bidco e que a carta da Ares deveria ser desconsiderada no que diz respeito à sua recondução. (Link para a correspondência de Welch)
29 de janeiro de 2026: Textor se reconduz ao cargo de Diretor da Eagle Bidco.
– Em 29 de janeiro de 2026, John Textor, como único diretor e único acionista da Eagle Bidco, por precaução (caso houvesse alguma dúvida sobre sua condição de membro do conselho), exerceu seus direitos previstos nos Estatutos Sociais para se reconduzir ao conselho de administração da Eagle Bidco. (Link para a Documentação de Nomeação)
Hoje: Esclarecimentos sobre o Conselho de Administração do Eagle Group
– A disputa entre Ares e o Sr. Textor, referente ao controle do conselho administrativo da Eagle Bidco, continuará.
– Não há qualquer disputa entre as partes em relação ao conselho de administração da Eagle Midco, empresa controladora da Eagle Bidco, onde o Sr. Textor permanece como único diretor. (Link para a lista de diretores da Eagle Midco )
– Não há controvérsias em relação ao conselho de administração da Eagle Football Holdings Limited, que detém 100% da Eagle Midco e das empresas do Grupo Eagle. O Sr. Textor permanece como acionista majoritário da Eagle Football Holdings, tendo nomeado a grande maioria dos membros atuais do conselho de administração. (Link para a lista de diretores da Eagle Holdings)
Neste comunicado, o programador e empresário, John Textor acusa a bilionária Michele Kang, presidente do Olympique Lyonnais e uma das principais forças por trás da gestão sucessora no grupo, com um “conselho secreto” formado na França de violar regras de governança e prejudicar o funcionamento saudável da organização.
Textor ainda se diz acionista majoritário da Eagle Football Holdings, o que lhe confere, na visão dele, legitimidade para direcionar o rumo corporativo da empresa mesmo diante da oposição interna. Porém não é deste jeito que a Ares Management Corporation, a maior credora da Eagle Holdings BidCo, pensa e decidiu.
Liminar no Brasil: controle do Botafogo permanece ainda com Textor neste momento
Embora Textor tenha sido afastado da diretoria da Eagle Bidco, ele segue no comando da SAF do Botafogo por força de uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro em outubro de 2025, que impede que mudanças no controle administrativo da Eagle se reflitam imediatamente na gestão do clube enquanto os processos judiciais ainda não foram concluídos.
Ou seja, no momento:
John Charles Textor não ocupa mais formalmente o cargo de diretor na Eagle Bidco.
Permanece gestor do Botafogo graças à liminar que susta a alteração de comando no Brasil.
A liminar ainda está vigente e é, por enquanto, o principal mecanismo que garante a continuidade do trabalho da atual diretoria do Botafogo sob a liderança de Textor.
Panorama geral da crise
A crise se divide em três grandes eixos:
Disputa de controle societário dentro da Eagle
— Acionistas e credores (como Ares) tentam assegurar governança sólida.
— Textor tenta consolidar poder e busca reverter a destituição.
Pressões financeiras externas
— Dívidas relacionadas à compra do Lyon e débitos ainda não quitados aumentam a tensão.
Efeito no Botafogo
— Apesar da liminar, qualquer desdobramento pode afetar receitas, negociações e a confiança de patrocinadores e investidores.
O capítulo mais recente da crise envolvendo John Textor e a Eagle Football Holdings marca uma escalada significativa na batalha pelo controle da holding multiclubes que inclui o Botafogo em sua estrutura.
O afastamento formal de Textor da diretoria da Eagle Bidco representa uma vitória momentânea dos credores e acionistas contrários à sua gestão, porém o empresário não se mostra disposto a ceder, prometendo continuar na briga e caracterizando o cenário como uma verdadeira “guerra civil” institucional.
O fundo de investimentos já demonstrou que não vai aceitar ou cair em qualquer artimanha de Textor, se ele querer dobrar a aposta, eles vão triplicar. O Botafogo está no meio de uma guerra, por pertencer a Eagle Holdings BidCo.

