Crise, empréstimos, alavancagem e desgaste: o rastro de John Textor na SAF Botafogo e no Olympique Lyonnais; 3 Transfer Bans e 2 afastamentos


John Textor então dono e presidente do Olympique Lyonnais em Abril de 2025, no Groupama Stadium - Foto: Sipa.


A trajetória de John Charles Textor no futebol deixou de ser uma história de inovação para se tornar um alerta sobre os riscos de modelos baseados em alavancagem extrema, através de empréstimos com instituições financeiras e fundos de investimentos, usando a credibilidade de um clube tradicional e de impacto mundial como o Botafogo; promessas infladas e gestão centralizada sem projeto esportivo de longo prazo.


Textor se apresentou ao mundo do futebol como um solucionador. Um investidor visionário capaz de transformar clubes tradicionais em potências globais. No Botafogo de Futebol e Regatas, houve um breve momento em que essa narrativa pareceu se confirmar — especialmente com o sucesso esportivo de 2024 após as conquistas da Libertadores e do Brasileirão, que teve boa influência de Michael Gerlinger ex-diretor esportivo de renome do Bayern de Munique, que foi o Diretor geral da Eagle Holdings Football em 2024. Mas o que veio depois desmonta essa ilusão com rapidez.


Em vez de consolidar o crescimento do Botafogo, Textor optou por um movimento arriscado: direcionar recursos e atenção para tentar salvar o já endividado Olympique Lyonnais, o mesmo já sabia disso quando comprou a equipe francesa em 2022, com ajuda dos seguintes fundos de investimentos: ARES Management Corporation e a Iconic Sports; herdando problemas financeiros de gestões passadas, Textor não conseguiu salvar o Lyon e resolver os problemas com a DNCG, com isto perdeu o comando do clube francês em 30 de junho de 2025, quando foi afastado e de quebra viu Michael Gerlinger se tornar CEO do Lyon. Essa decisão expôs uma prática controversa — o uso de um caixa único entre os clubes — que, na prática, drenou recursos do Botafogo e comprometeu sua saúde financeira, transferências em reais convertidas para o euro, foram enviadas para o clube de Ródano-Alpes, da cidade de Lyon, na França.


O padrão se repete ao observar seu histórico. Textor acumulou dívidas na maioria dos clubes por onde passou. A exceção foi o Crystal Palace, onde a atuação firme de Steve Parish impediu que decisões mais arriscadas colocassem o clube em situação semelhante como ocorreu no Lyon, Botafogo e RWDM Brussels.


No Botafogo, as consequências foram concretas e severas. O clube sofreu três Transfer Bans desde 2025. O primeiro, em março, envolvendo Segovinha. O segundo, mais grave, começou em outubro com o caso de Thiago Almada em parcelas não pagas ao Atlanta United e se estendeu até dezembro, culminando na punição oficial em 30 de dezembro de 2025 na FIFA. O terceiro veio com o não pagamento das parcelas da contratação de Rwan Cruz ao Ludogorets da Bulgária — um jogador cuja contratação já era questionada pela baixa qualidade técnica.


Mas os problemas não pararam nas punições. Houve uma série de decisões que, para muitos, configuram sabotagem administrativa: dinheiro de premiações da conquista da Libertadores (confirmada pelo presidente da Conmebol) e da participação do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes de 2025 foram redirecionados ao Lyon; o elenco campeão de 2024 foi desmontado; e o técnico mais vitorioso da história do clube, Artur Jorge, deixou o cargo após conflito entre Textor e seu agente, Hugo Cajuda.


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O resultado é um cenário devastador. O Botafogo hoje enfrenta uma dívida próxima de R$ 3 bilhões, enquanto seu controlador segue afirmando ter respostas para uma crise que ele próprio ajudou a criar. A imagem de Textor no futebol internacional se consolida: promessas vazias, discurso de ser "um salvador" e execução inconsistente.


A recente decisão do Tribunal Arbitral da FGV de afastá-lo temporariamente da SAF do Botafogo marca uma ruptura importante. Mesmo que tente retornar — ainda que como sócio minoritário — seu nível de influência dificilmente será o mesmo que exerceu entre 2022 e abril de 2026. E, mais importante, sua credibilidade junto aos torcedores mais atentos já foi profundamente abalada. A desaprovação de John Textor se popularizou bastante e tende a aumentar ainda mais.


O caso expõe uma lição clara. O potencial do Botafogo permanece gigante, dentro e fora do Brasil. Mas potencial não se sustenta com improviso financeiro nem com centralização opaca de recursos. O clube precisa agora de algo que faltou nos últimos anos: um projeto sólido, transparente e bem estruturado. Se antes o Botafogo tinha o ¨fantasma¨ de não vencer títulos importantes, isto foi quebrado em 2024, agora para o futuro é quebrar os fantasmas de não ter um time campeão que permaneça por pelo menos 1 ano e meio à 2 anos. 


Sem as alavancagens de John Textor, paradoxalmente, pode estar justamente a melhor chance de reconstrução — e de finalmente transformar promessa em realidade. Para que o nosso Botafogo consiga sempre estar onde merece, brigando por títulos, qualificando jogadores até então desacreditados, conseguindo contratar promessas sul-americanas, e finalmente conseguir uma hegemonia da tão sonhada Copa do Brasil, que bateu na trave por 2 vezes, em 1999 a mais dolorida, e em 2007 após o escândalo da tal Ana Paula De Oliveira, que nitidamente beneficiou o Figueirense, após gols anulados incorretamente que prejudicaram o Botafogo; para o escolhido Flu, vencer a competição na final contra o mesmo Figueirense e vender Marcelo e Thiago Silva acima do preço num acordo entre Traffic Sports e Unimed, naquela ocasião. Na outro lado da chave, daquela semifinal, o Fluminense enfrentou o modesto Brasiliense.


Mas o que é do Botafogo ninguém tira, há chance de novos títulos, sem John Textor. O futuro começa em 10 dias úteis. Que venha um escolhido que pense grande, e em consolidar a marca Botafogo, claro que no começo vai ser em acertar as dívidas pendentes, e arrumar a casa. Mas tudo sendo bem elaborado, o Futuro será Glorioso outra vez.

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