Em carta enviada ao GE, John Textor culpa Michele Kang e a Ares pelo Transfer Ban do Botafogo ter ocorrido


 
Foto: John Textor no Ballon D´or em 22/09/2025 (J.-B. Autissier/L'Equipe) | Michele Kang no mesmo evento Foto: Franck Fife/AFP/dpa


O Botafogo vive um momento de turbulência institucional e financeira, com o atual acionista majoritário, o programador e empresário Norte-americano John Textor, acusando abertamente a bilionária Michele Kang, atual presidente do Olympique Lyonnais, e o fundo de investimentos Ares Management de serem responsáveis pelo Transfer Ban que impede o clube carioca de registrar novos jogadores.


Acusações diretas à gestão do grupo


Em uma carta enviada ao GE, Textor afirma que o transfer ban imposto pela FIFA ao Botafogo seria resultado da recusa de Michele Kang em realizar pagamentos importantes ao clube num total superior a €104 milhões (R$645,1 Milhões) e da atuação do fundo Ares para bloquear um aporte de US$ 50 milhões (R$264 Milhões) que poderia sanar a pendência. Para ele, essa combinação acabou levando à punição que trava a inscrição de reforços pelo Botafogo.


John Textor também acusa Kang e a Ares de atuarem em “conluio” na administração do Lyon sem consultar os demais acionistas da Eagle Football Holdigs BidCO, a holding que controla clubes como o Botafogo e o próprio Lyon, o que, segundo Textor, teria enfraquecido a governança do grupo e contribuído para a atual crise.


Disputa interna na Eagle e controle do grupo


As críticas de Textor vêm em meio a um conflito cada vez mais aberto dentro da Eagle Football Holdings, com o fundo Ares tentando afastá-lo do comando da holding, movimento que já resultou no afastamento dele do cargo de diretor pela Ares, embora Textor continue no comando da SAF do Botafogo por meio de uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro.


Nos documentos enviados nesta quinta a Kang e Ares, Textor afirma ainda que a bilionária e o fundo de investimentos entraram em conluio para administrar o Lyon sem consultar outros acionistas, incluindo o próprio americano, fundador da Eagle. De acordo com o dono da SAF do Botafogo, esse acordo contribuiu para os problemas financeiros da organização.


— A Sra. Kang apresentou seu plano para salvar o OL (Lyon) do rebaixamento ao conselho completo da Eagle Football. Ela representaria a Eagle como salvadora da liderança do clube. Simultaneamente, de acordo com a data do acordo paralelo, ela deu controle do maior ativo da Eagle Football a si mesma e à Ares. Depois ela trabalhou incansavelmente com esse conselho secreto de diretores, sem o conhecimento do verdadeiro conselho do clube, para garantir que a Eagle Football e sua família de clubes fracassassem.


Em outra parte do documento, Textor afirma que não estava tentando retomar o controle do Lyon e, assim como fez na nota divulgada esta semana, reforça que ainda é diretor da Eagle. O americano informou que o caso foi comunicado à AMF, órgão que regula o mercado financeiro francês, e pede uma investigação.


Em 2022, a Ares emprestou US$ 450 milhões (R$2,3 Bilhões) a Textor para ele comprar o Lyon, e o Norte-americano ainda não pagou a dívida.


A carta desta quinta é mais um capitulo da conturbada relação de Textor com Michele Kang e com a Ares. Na última segunda, ele tirou Stephen Welch e Hemen Tseayo do quadro de diretores. A dupla era conselheira da Eagle BIDCO, ambos não concordaram com algumas atitudes recentes de John, inclusive com o modelo de aporte financeiro proposto por Textor para quitar as dívidas urgentes do Botafogo usando a GDA LUMA, além do Transfer Ban que impede a inscrição de atletas.


O desligamento da dupla de diretores não foi considerado válido pela Ares. Esse foi o estopim para o fundo de investimento enviar uma carta para Textor informando sua "saída imediata" do comando da Eagle. A decisão, no entanto, ainda não foi oficializada.


No Botafogo, Textor vive o momento de maior pressão desde que assumiu o clube. Ele prometeu um aporte financeiro significativo para esta semana, mas, até esta quinta-feira, o valor não caiu nos cofres do clube. Uma ala do clube não acredita que o americano conseguirá cumprir essa promessa.


Correntes políticas importantes no clube já defendem que o americano deixe o comando da SAF. Textor está no Rio de Janeiro pela primeira vez desde dezembro e é esperado no Nilton Santos na noite desta quinta-feira, para ver a estreia do Botafogo no Brasileirão, contra o Cruzeiro.


O Botafogo está proibido de inscrever jogadores contratados por causa da dívida com o Atlanta United referente à contratação de Almada, em 2024. Textor prometeu um aporte significativo para esta semana, o que acabaria com o Transfer Ban, mas o dinheiro ainda não entrou na conta da SAF.

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